Mas, quanto aos tímidos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos que se prostituem, e aos feiticeiros, e aos idólatras e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre; o que é a segunda morte. Apocalipse 21.8 (grifo nosso)

Qual a relação entre o medo e o pecado? O segundo item listado em Apocalipse 21: 8 aponta para a resposta – incredulidade. O Salmo 78.13-16 dá um exemplo de como isso funciona:

Dividiu o mar, e os fez passar por ele; fez com que as águas parassem como num montão. De dia os guiou por uma nuvem, e toda a noite por uma luz de fogo. Fendeu as penhas no deserto; e deu-lhes de beber como de grandes abismos. Fez sair fontes da rocha, e fez correr as águas como rios.” Salmos 78.13-16

Na lista os milagres são os que Deus realizou a fim de suprir as necessidades de seu povo. Continuando no Salmo 78.17-21, observamos a resposta de Israel sob a demonstração do amor e cuidado de Deus para com eles:

E ainda prosseguiram em pecar contra ele, provocando ao Altíssimo na solidão. E tentaram a Deus nos seus corações, pedindo carne para o seu apetite. E falaram contra Deus, e disseram: Acaso pode Deus prepararnos uma mesa no deserto? Eis que feriu a penha, e águas correram dela: rebentaram ribeiros em abundância. Poderá também dar-nos pão, ou preparar carne para o seu povo? Portanto o Senhor os ouviu, e se indignou; e acendeu um fogo contra Jacó, e furor também subiu contra Israel;” Salmos 78.17-21

Embora o Senhor tenha fornecido água em abundância, eles estavam com medo de que Ele não fornecesse pão e carne. Qual era a base, a causa, para esse medo? A resposta segue no versículo 22 deste mesmo salmo: “Porquanto não creram em Deus, nem confiaram na sua salvação“!  Depois de tudo o que Deus havia feito por eles, eles ainda não conseguiram reunir a fé e confiança necessárias em Deus e Seu amor por eles (Hebreus 4.2). Será que quando a hora da verdade chega, acreditamos nas promessas de Deus? Não confiamos na extensão do Seu cuidado e amor por nós (João 17.23) e que Ele virá em nosso socorro (Salmo 34.19)?

Qual foi a resposta de Deus para demonstração de temor dos israelitas? “Portanto o Senhor os ouviu, e se indignou; e acendeu um fogo contra Jacó, e furor também subiu contra Israel;” (Salmo 78.21), prenunciando Apocalipse 21.8. O fogo é a resposta de Deus, que não muda (Malaquias 3.6), ao medo.

O medo, portanto, é o resultado de uma falta de confiança, em não acreditar no poder de Deus e principalmente no Seu amor e vontade de agir em nosso favor. O medo surge assim porque lhes falta fé. Cristo revela essa conexão em Marcos 4.40: “Mas Ele disse-lhes:”E disse-lhes: Por que sois tão temerosos? Ainda não tendes fé?

Quando Cristo viu medo, a Sua resposta imediata foi a questionar a fé deles. O medo é uma reação muito humana. Como Cristo indica, como nós respondemos, depende do nosso grau de fé. Quando a fé é fraca ou inexistente, o medo torna-se o fator de controle ao invés da própria fé. Nós começamos a viver por vista e não por fé (2 Coríntios 5.7), e sem fé, não podemos ser salvos: “E a quem jurou que não entrariam no seu repouso, senão aos que foram desobedientes? E vemos que não puderam entrar por causa da sua incredulidade. (Hebreus 3.18-19).

Nosso descanso é o Reino de Deus. Assim como a incredulidade impediu o antigo Israel de entrar em seu descanso, a falta de fé pode nos impedir de entrarmos também, mantendo-nos fora da Família de Deus. “Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam” (Hebreus 11.6).

Vemos então que o pecado não é o resultado da fraqueza, como nós normalmente pensamos. Sim, há uma fraqueza, mas qual é a raiz do pecado, a sua causa? Quando olhamos de perto, a raiz do pecado é “incredulidade“, como o exemplo de Israel nos ilustra. A incredulidade causa e conduz à consumação do pecado em nossas vidas, apontando para a nossa fraqueza fundamental real: uma falta de fé. Esta é a mensagem de Paulo em Romanos 14.23: “… e tudo o que não é de fé é pecado.”