A Bíblia diz em Tiago 5.16:

A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos

Eficaz (oração efetiva)

Esse versículo é tão importante que devemos prestar atenção em quase todas as palavras do versículo. Vamos olhar para a primeira palavra em português que de fato se traduz de duas palavras do grego. O texto grego é composto de um adjetivo e um verbo que querem dizer “grande força”. O verbo aqui é ischuo. Ele carrega o sentido de ser “capaz de realizar”, têm o “poder de fazer” ou “ser forte e eficaz”. Em algumas utilizações, pode significar superação ou vencer. Paulo usa este verbo em sua famosa declaração: “Eu posso fazer todas as coisas através de Cristo Jesus“. Aqui a palavra está no tempo presente ativo. É uma palavra: “fazendo agora.”

Existe uma grande quantidade de energia nesta palavra. Mas Tiago acrescenta polu e amplia ainda mais o poder do verbo. Não é apenas poderosa; ela é muito poderosa, extremamente forte, capaz de superar muito, prevalecendo contra seja o que for que se coloque no caminho. A combinação no grego não é sobre a “força da torneira”. Não se trata de um reservatório esperando para ser liberado. O grego nos diz que esta oração está no ativo e fazendo o que pretende fazer.

A maioria de nós são pessoas extremamente intensas. Daquelas pessoas que vão a fundo no que faz. Infelizmente, essa característica também é verdade em relação aos pecados. Fazem eles acontecer ativamente. Deus mostra que toda a atividade gasta neste sentido é fútil. Agora, Ele está mostrando algo mais sobre a “corrida desesperada para fazer as coisas”. Ele está mostrando que precisamos orar mais e fazer menos.

A maioria de nós vêm à oração depois de termos tentado de tudo. Nos espalhamos por aí procurando por respostas “visíveis” para os nossos problemas. Vamos para a prancheta e planejamos. Nós promovemos. Nós agitamos. Nós fazemos tudo, mas a única coisa que a Bíblia nos diz é que o recurso mais poderoso ativo que temos é a oração. A oração não é o fim, é o começo.

Oração

O termo grego é deesis. Ela vem da palavra deomai. O que é importante sobre esta palavra é que ela envolve principalmente “necessidades pessoais”. O versículo poderia ser traduzida como “petições fortes e extremamente pessoais”. Não há nada generalizado sobre estes pedidos. Não é “Oh, Deus, abençoe a todos no mundo” ou “Oh, Deus, salva essas pobres almas perdidas.” Estas petições são as suas mágoas e frustrações pessoais e especiais. Elas são gritos a Deus pelas coisas que são importantes para si mesmo.

Às vezes questionamos se entendemos verdadeiramente o processo da oração. O mercado está atolado de livros cristãos sobre o assunto. Mas talvez nós precisemos muito menos instrução e muito mais honestidade sobre este tema. Antes, ficar de joelhos parecia tão difícil, como se o ato de subserviência diante de Deus causasse uma grande resistência crescente em nós. Agora a vida mudou. Podemos dobrar os joelhos porque Ele jogou fora nossas falsas defesas. Mas quando começamos a orar, muitas vezes encontramos a mente vagando e confusa. Então, nesses dias devemos orar em voz alta. Mesmo assim, tropeçamos. Agora devemos manter uma lista diante de nós. “Pai, aqui estão as minhas preocupações pessoais de hoje.” Devemos escrevê-las de modo que não percamos o controle do que queremos falar com o Senhor.

Mesmo com esta preparação para a oração, a entrega verdadeira do que está doloroso em nossos corações são poucas. Mas nos lembramos deles. Lágrimas escorrem pelo rosto, soluços e agitações, coloquemos nossa alma nua diante do Senhor. Chegue perto da descrição de Tiago. Não são as lágrimas ou os soluços. Sempre será vulnerabilidade.

Então, muitas vezes nossas orações assumem um modelo “fabricado”. Elas não são realmente sobre nós em tudo. Elas são definidas pelos “tópicos aceitáveis de oração” de nosso fundo religioso. Tiago nos diz exatamente o contrário. Anseios intensos, fortes súplicas e clamores ao Senhor, começam com a abertura completa. Somos tão protetores que, mesmo perante Deus, freqüentemente tentamos nos proteger. Essa resistência interna deve cair antes de nossas petições tornarem-se “excessivamente fortes”. Ela vem da obediência de uma vida quebrantada diante dEle, dispostos a aceitar qualquer resposta que sirva a Seus propósitos.

Em última análise, a oração não é sobre nós integralmente. Certamente começa com nossas necessidades, mas a oração muda o foco de nós para Deus, para que as nossas necessidades tornem-servia para Seus propósitos. Essa mudança não pode ocorrer até que nós estejamos vazios diante dEle.

Justo

Agora chegamos à palavra crítica da declaração de Tiago acerca da oração. O grego é dikaiou. Este é uma termo derivado do conceito de justiça. O homem que é justo (virtuoso) é o homem que foi declarado “não culpado” porque Cristo transformou sua vida. Essa transformação significa uma mudança na direção, nas atitudes, propósitos e comportamentos. Precisamos saber a diferença entre a forma como éramos perante Deus e como somos depois que deu Seu veredito, percebendo se a transformação ocorreu ou não.

Tiago nos diz que o homem transformado é o homem que dispõe de súplicas intensas. O homem transformado sabe que ele está quebrantado diante de Deus. O homem transformado é um conhecedor de que que sua vida não está sob seu próprio controle. O homem transformado procura os propósitos de Deus através de suas próprias necessidades pessoais. A menos que tenhamos sido transformados, oração ainda é auto-serviço. Mas assim que a nossa vida torna-se dedicada à vontade de Deus, nossas orações assumem um poder que nunca tivemos antes. Elas nos movem em direção ao lugar de dependência livre e sem constrangimentos no Senhor.

A justiça é a chave para este tipo de oração poderosa. Mas muitas vezes nós pensamos que a justiça é uma coisa que temos que trabalhar muito, algo que nós temos que ter antes que Deus possa nos usar. Essa ideia não é verdadeira. Nossa justiça não é nada mais do que o sacrifício perfeito de Cristo transferido a nós pelo veredito de Deus. Não tem nada a ver com as nossas boas obras, esforços ou intenções. É tudo por causa de Cristo.

Quando você estiver diante de Deus em oração como um filho declarado “não culpado”, você tem a mesma relação que Jesus teve com o Pai. Será que Jesus vacilou em suas petições? Será que ele orava e não esperava respostas? Jamais. A oração das suas necessidades sempre estavam alinhadas à vontade do Pai. Temos a oportunidade da mesma oração. Essa é a oração que podem pedir “o que quiser e será concedido”.

Pode muito em seus efeitos

Um único verbo grego completa esta frase. É energoumene. Você pode ver a palavra “energia” aqui. A tradução portuguesa aqui é muito fraca. Ela implica uma possibilidade de que alguma coisa pode acontecer, mas não garante que vai acontecer. “Pode realizar” pode significar que há outras condições que podem impedir este poder de operar. Mas esse não é o sentido da afirmação de Tiago.

O verbo significa “poder ou o trabalho que produz resultados.” É tempo presente (acontecendo agora), mas na voz média. A voz média grega indica que a ação possui um significado particular para a pessoa que executa a ação. Quando olhamos para a palavra deste verso de abertura, descobrimos que a palavra significava preocupações pessoais comoventes. Agora vemos que a conclusão do versículo diz: “produz resultados pessoais.” Tiago não está dizendo que as petições de oração pessoal, por vezes, não produzem resultados ainda que os resultados tinham uma possibilidade. Se Tiago está dizendo que Deus às vezes ouve e, por vezes não nossas orações, Ele simplesmente não responde mesmo que pudesse. Esse não é o Deus da Bíblia. Deus sempre ouve Seus filhos e Ele sempre responde às suas petições. Este verbo significa “os resultados não estão em dúvida.”

Nas manhãs quando oramos pelas nossas necessidades pessoais, percebemos que são intensas e por vezes assustadoras. Ficamos com medo de que Deus não virá responder a tempo. Digamos-lhe o quanto a nossa vida tem sido atacada com tragédias e crises. Que sentimos desgastados pelo combate. Então se lembre de Tiago.

Que o Senhor lhe abençoe em nome de Jesus.