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Filhos de Deus e Filhas dos Homens

Filhos de Deus e Filhas dos Homens

Em Gn 6.2 está escrito que os filhos de Deus se uniram às filhas dos homens. O que isso quer dizer?

Existem algumas interpretações, vejamos:

  1. Os filhos de Deus são os filhos do piedoso Sete, irmão de Caim, e que se casaram com as filhas deste irmão que era um grande pecador. Esta interpretação se adequa melhor ao significado, pois não são somente os anjos quem são chamados filhos de Deus, veja Ex 4.22. Os anjos são seres assexuados e não tem o mesmo poder de Deus para gerar vida (Mt 22.30) e Moisés já havia estabelecido o conceito de uma linhagem piedosa em Gênesis 4.26. Esta interpretação é endossada por Lutero e Calvino;
  2. Os filhos de Deus eram os anjos caídos que se casaram com as filhas dos homens (descendentes de Caim). Esta versão se encontra no livroespúriodeEnoque e tem a favor deste ponto as seguintes considerações:
    1. o termo e igual ao de Jó 1.6,2.1,38.7;
    2. 2Pe 2.4-5 parace identificar anjos neste incidente;
    3. se Deus pode engravidar Maria, os anjos caídos poderiam engravidar as mulheres;
    4. a palavra nefilins vem de um particípio ativo plural do verbo hebraico “cair”, ou seja, relacionando aos anjos caídos.
    5. O ponto de vista é que Mateus 22.30 declara: “Porque na ressurreição nem casam nem são dados em casamento; mas serão como os anjos de Deus no céu.” No entanto, o texto não diz “os anjos não são capazes de se casarem”. Pelo contrário, indica apenas que os anjos não se casam. Segundo, Mateus 22.30 está se referindo aos “anjos no céu”, e não aos anjos caídos que não se preocupam com a ordem criada por Deus e buscam ativamente maneiras de interromper o Seu plano. O fato de que os santos anjos de Deus não se casam ou não se envolvem em relações sexuais não significa que o mesmo seja verdadeiro sobre Satanás e seus demônios. Portanto, embora os anjos sejam seres espirituais (Hebreus 1.14), eles podem aparecer em forma humana e física (Marcos 16.5). Os homens de Sodoma e Gomorra quiseram ter relações sexuais com os dois anjos que estavam com Ló (Gênesis 19.1-5). É plausível que os anjos sejam capazes de assumir a forma humana, até mesmo ao ponto de duplicar a sexualidade humana e, possivelmente, a reprodução. Por que os anjos caídos não fazem isso mais vezes? Parece que Deus aprisionou os anjos caídos que cometeram esse pecado perverso para que os outros anjos caídos não fizessem o mesmo (como descrito em Judas 6). São Jeronimo e alguns intérpretes hebraicos apoiam esta interpretação.
  3. Na antiguidade acreditava-se que os reis possuíam uma filiação com os deuses e estes reis então escolheram se utilizar do “direito da primeira noite”, uma das práticas opressivas mencionada noÉpicodeGilgamés, onde o rei, como representante dos deuses, passava a primeira noite de núpcias com a mulher que desejasse; era um ato interpretado como “rito da fertilidade”. Seguindo esta interpretação,aToráSefer diz o seguinte:
    1. “E viram os filhos dos senhores”: a palavra Elohin é singular quando se refere à Deus, criador de tudo. Significa “juízes” como em Êxodo 21.30; “anjo” em Salmos 82.6; “ídolos” em Êxodo 20.30. Segundo Rashi, neste versículo significa “filhos dos senhores e dos juízes”, porque o termo Elohin implica sempre em julgamento. Também as versões em aramaico de Onkelos e Ionatan ben Uziel traduzem Bene Haelohin como “filhos dos grandes”;
    2. “filhas do homem”: Maimônides comenta que eram as filhas da população comum, as de classes baixas, que não tinham forças para resistir aos seus superiores. A Torá, portanto, começa a narrativa da tragédia falando sobre a dominação dos fracos pelos poderosos. O resultado destes casamentos foi que a descendência de Sete foi seduzida pelas propostas de uma cultura depravada e sem fé em Deus, e sofreram a condenação que destruiu a espécie humana;
    3. “tomaram para si mulheres de todas que escolheram”: a expressão “de todas”, aparentemente supérflua, nos ensina, segundo Rashi, que temos aqui uma caso de perversão sexual, onde os homens, além de mulheres casadas, tomavam estas mulheres contra a vontade delas, e a Torá relata isso como injustiça.

Fontes: John Walton, Torá Sefer, George Livingston, Homas Constable, Comentário de São Jeronimo.