Introdução

Davi não era chamado para a guerra, mas isso não significa que não poderia guerrear. Um gigante, um povo e um garoto, era tudo o que Deus precisava para exaltar o seu escolhido. Tentaram colocar a armadura de Saul em Davi para que Davi lutasse com o gigante, mas quando não é pra usarmos os recursos humanos, não adianta tentar.

Porque Deus não permitiu que Davi utilizasse a armadura de Saul:

  • Para que a glória não fosse para Saul;
  • Para que Davi utilizasse das armas que o próprio Deus o tinha dado.

Estas armas é o que veremos neste estudo.

Cajado ou Vara

O cajado ou vara era um instrumento com cerca de dois metros de comprimento e que na sua grande maioria possuía uma curva em uma das extremidades. Fazia parte dos equipamentos de um pastor, e dentre suas funções três se destacam:

Era usado para ajudar o pastor a andar com maior facilidade nos lugares montanhosos ou difíceis;
Servia para guiar as ovelhas. Quando essas passavam por uma entrada apertada, como por exemplo ao entrarem no redil à noite, eram contadas debaixo da vara ou cajado. Ezequiel usa esse termo para dizer que Deus irá impedir os rebeldes de voltarem às suas casas depois do Exílio. Só os que forem leais a Ele passarão pela vara (Ez 20.37-38);
Era usado para marcar as ovelhas. A ponta era mergulhada em tinta, e quando as ovelhas passavam por sob a vara, cada décima era marcada e dada a Deus como dízimo (Lv 27.31-33).

O termo “cajado” aparece poucas vezes no Antigo Testamento, vejamos algumas das vezes em que o termo aparece:

“Então ele disse: Que penhor é que te darei? E ela disse: O teu selo, e o teu cordão, e o cajado que está em tua mão. O que ele lhe deu, e a possuiu, e ela concebeu dele.” Gênesis 38:18

“E tirando-a fora, ela mandou dizer a seu sogro: Do homem de quem são estas coisas eu concebi. E ela disse mais: Conhece, peço-te, de quem é este selo, e este cordão, e este cajado.” Gênesis 38:25

“Assim pois o comereis: Os vossos lombos cingidos, os vossos sapatos nos pés, e o vosso cajado na mão; e o comereis apressadamente; esta é a páscoa do Senhor.” Êxodo 12:11

“De Efraim saiu a sua raiz contra Amaleque; e depois de ti vinha Benjamim dentre os teus povos; de Maquir desceram os legisladores, e de Zebulom os que levaram o cajado.” Juízes 5:14

“Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam.” Salmos 23:4

No texto de 1 Samuel 17.40, a palavra hebraica utilizada para cajado é Maqeel; aparentemente significava galho fino ou broto, como o do álamo que Jacó descascou em riscas abertas na procriação de animais (Gn 30.37ss.) e “uma vara de amendoeira” (Jr 1.11). Daí entende-se que a raiz hebraica traduz-se como “germinar”, ou seja, produzir, originar, brotar.

O significado de cajado no hebraico pode aludir à várias simbologias.

O cajado poderia simbolizar várias coisas de acordo com sua utilização na Bíblia, como por exemplo, a ira e o castigo de Deus (2Sm 7.14; Jó 9.34; 21.9; Is 9.4; 10.5; 30.31; Lm 3.1; ICo 4.21). Outras vezes era utilizado como instrumento de medição e contagem (Ap 11.1; 21.15s., Lv 27.32).

Mas de todos simbologias do cajado, a mais conhecida é o símbolo de autoridade. Se tornou este símbolo pelo seu uso bíblico: Veja, “Moisés tomou o cajado de Deus na sua mão” (Ex 4.20); Moisés e Arão realizaram muito milagres com cajado (Ex 8.5ss.; 14.16; Nm 20.11). “A vara da disciplina” (Pv 22.15) era para o filho tolo (Pv 10.13; 13.24; 23,13s.;26.3), e para os escravos (Ex 21.20). Foi predito no Salmo 2.9 que Jesus reinaria sobre todas as nações “com vara de ferro”, o que é visto em Apocalipse 2.27; 12.5; 19.15.

Esta autoridade, segundo a literatura rabínica possui uma origem em Deus. O Midrash afirma que o cajado com o qual Jacó atravessou o Jordão é idêntico ao que Judá deu a Tamar ( Gênesis 32:10, 38:18 ). É o mesmo com que Moisés trabalhava (Êxodo 4: 20,21 ) e com a qual Arão realizou maravilhas diante de Faraó ( Êxodo 7:10 ), e que finalmente, Davi utilizou no momento em que matou o gigante Golias (1 Samuel 17:40).

Davi deixou a vara para seus descendentes monarcas, que o utilizaram até a destruição do Templo, quando milagrosamente desapareceu. Quando o Messias vier, será dada a ele por um cetro em sinal de sua autoridade sobre as nações (Sl 2.9; Ap 2.27; 19.15).

Mas de onde veio então este cajado com tamanha autoridade e poder? O Hagadá de Sarajevo, um manuscrito judeu-espanhol, diz que Deus o criou no crepúsculo do sexto dia da Criação (Ab. 5:9, e Mek., Beshalla?, ed. Weiss, 4:60), era adornado de safira, tirado da árvore do conhecimento do bem e do mal, e tinha o nome divino gravado nele, e entregou-o a Adão quando este foi expulso do paraíso.

Depois de ter passado pelas mãos de Sem, Enoque, Abraão, Isaque e Jacó, sucessivamente, veio para a posse de José. Com a morte de José os nobres egípcios roubaram os seus pertences, inclusive o cajado. Jetro, um homem muito sábio, trabalhava no palácio de faraó, mas vendo a escravidão dos hebreus, pediu à faraó que o liberasse de ficar trabalhando para ele vendo seus irmãos sofrendo. Como Jetro tinha um bom relacionamento com o faraó, pediu-lhe apenas uma coisa antes de deixar o palácio: aquele cajado que há muito tempo estava parada no mesmo lugar, Jetro então se apropriou do cajado e o plantou em seu jardim.

O Nome Inefável de Deus foi gravado sobre ele, e quando Moisés, ao visitar o jardim de Jetro, viu o cajado e leu o nome de Deus nele, logo soube que pertencia ao seu povo, então o tomou e algo sobrenatural aconteceu. Jetro então deu sua filha Zípora em casamento à Moisés, pois seu pai havia jurado que ela se casaria com o homem que fosse capaz de dominar o cajado milagroso (Pirk e R. El. 40 Sefer ha-Yashar Yal?. Êxodo 168 , fim). Este suposto fato da origem sobrenatural do cajado explica a declaração de Hebreus 9.4.

Lendas cristãs ampliam esta história dizendo que este cajado, depois que Finéias o enterrou em Jerusalém, ficou oculto até o nascimento de Jesus, quando José recebeu a revelação de onde estava e o pegou para levar ao Egito, junto com Maria e Jesus, ainda no ventre. Conta-se que Judas, roubou este cajado de Tiago (que havia recebido de José, seu pai), irmão de Jesus. E quando da crucificação de Cristo, não se encontrava uma haste transversal para a cruz, ao que Judas entregou o cajado para tal. Orígenes afirma: “Esta vara de Moisés, com o qual ele dominou os egípcios, é o símbolo da cruz de Jesus, que conquistou o mundo.”

Diante de uma tradição sobrenatural como esta, sendo apenas uma lenda judaico-cristã, não podemos nos esquecer também de que este cajado, sim, tem algo sobrenatural sobre ele: autoridade e poder.

Por isso Jesus disse certa vez: ”Eis que vos dou poder [autoridade] para pisar serpentes e escorpiões e toda a força do inimigo, e nada vos fará dano algum” (Lc 10.17-20. e.g. Sl. 91.13; Mc 16.18).

Ninguém que desce ao vale para enfrentar o gigante, pode se esquecer do poder e a autoridade que nos foi conferida pelo próprio Jesus.

Os setenta discípulos retornam jubilosos de sua primeira empreitada evangelística, onde vários enfermos foram curados, vérios endemoniados foram libertos e vários milagres aconteceram. Ao perceber que os discípulos estavam orgulhosos do realizado em campo, Jesus joga-lhes um balde de água gelado: “Eu vi satanás cair como um raio do céu”. Jesus estava dizendo que o orgulho não poderia prevalecer na vida de todos os cristãos que estão fazendo a obra. Se através do meu ministério pessoas são libertas, isso é a autoridade de Deus na minha vida, e não minha própria autoridade. Infelizmente, muitos envaidecem diante da autoridade que o Senhor lhe conferiu, pensando ser algo dele próprio.

O poder e a autoridade que Jesus deu aos discípulos era para enfrentar o mal e toda a sua força. Serpentes e escorpiões eram simbologias à entidades demoníacas, e isso é ratificado com o final do versículo que diz: “e toda a força do inimigo”. Ele não deu dinheiro para comprar o que quisessem, também não deu fama para se orgulhassem como desejassem, mas deu poder e autoridade. Um complementa o outro. Poder é a força necessária para resistir ao mal, e a autoridade é a autorização para se utilizar deste poder.

Manter a autoridade depende de duas coisas, como se vê no próprio texto:
Glorificar a Cristo e não a nós: quando Jesus disse que havia visto satanás cair do céu, é porque ele estava olhando para o coração dos discípulo e vendo nascer o orgulho. Manter a autoridade de exercer o poder que Jesus nos deu através do seu Nome, faz-se necessário aniquilar o orgulho dentro de nós;
Exercer para o propósito correto: Jesus disse que o poder e a autoridade foram dados para resistir ao mal e a tudo o que ele representa. Se não fizermos isso, perdemos a autorização de usar o nome de Jesus.

Foi por isso que Davi, quando desceu ao vale para enfrentar o gigante, pegou o seu cajado (poder e autoridade) e enfrentou o inimigo em o Nome do Senhor dos Exércitos.

Cinco Seixos do Ribeiro

O número cinco

Os números na Bíblia muitas vezes passam desapercebidos. É claro que não podemos espiritualizar todas as vezes que um número aparece nas Escrituras, mas isso não significa também que devemos ignorar a todos.

A Bíblia diz que Davi pegou cinco pedras, isso mesmo, cinco. No intento de espiritualizar demais os números na Bíblia, muitos tem feito com que a grande maioria das pessoas ignorem realmente a numerologia bíblica. Por outro lado, devemos considerar que os judeus sempre acreditaram no significado de tudo o que está na Bíblia, e com isso surgem as características gerais dos números, por exemplo:

O número três representa a plenitude, completude. Vejamos:

A trindade do mal (dragão, anticristo e profeta); a trindade de maldade (mundo, carne e diabo); a trindade da bênção (graça, misericórdia e paz); a trindade das Escrituras (lei, profetas e escritos); a trindade humana (corpo, alma e espírito);a trindade divina (Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo).

O número quatro representa o controle de Deus e a ordem de Deus sobre o universo.Vejamos:

As quatro direções (norte, sul, leste e oeste); as quatro estações (primavera, verão, outono e inverno); os quatro ventos (Mt 24.31); o quarto homem da fornalha; as quatro fases da lua; os quatro rios do Éden.

Da mesma forma, o número cinco possui as suas características. É o número que representa a incompletude do homem, a dependência do homem, ou seja, expõe a fraqueza humana. Veja que a grande maioria das vezes em que o número cinco aparece, representa insuficiência:

  • Os cinco irmãos de Lucas 16.28 não podem se salvar sozinhos;
  • Os cinco maridos da mulher do poço não puderam satisfazê-la (Jo 4.18);
  • Os cinco pães não eram suficientes para alimentar a multidão (Jo 6.9);

A nossa insuficiência é tão grande que podemos entender o que Jesus disse em João 15.5c, quando falou: “sem Mim nada podeis fazer”. É como podemos dizer: Deus pode tudo sem o homem, mas o homem não pode nada sem Deus. Jesus está dizendo que pra conseguirmos fazer algo, para produzirmos frutos, precisamos estar ligados em Cristo. Ninguém consegue enfrentar o gigante do vício sozinho, ninguém consegue vencer o gigante da depressão sozinho, ninguém é capaz de superar a culpa sozinho. Ninguém pode, porque é insuficiente, mas Deus é a nossa suficiência.

O número cinco não é único no contexto, além de aparecer este numeral, ele está associado a cinco pedras, pedras de ribeiro. Ou seja, temos ainda as pedras e o ribeiro para entendermos a segunda arma de Davi para enfrentar o gigante.

As pedras

Pedras são fragmentos de rocha, e usadas pelos homens para vários propósitos construtivos, como por exemplo em Gênesis 35.14, quando Jacó levantou uma coluna onde o SENHOR havia falado com ele, colocando o nome daquele lugar de Betel, a casa de Deus. Ou ainda quando Jesus, em Mateus 16.18, afirma que edificaria a Igreja sobre a pedra, neste caso, rocha.

É importante analisarmos melhor este texto de Mateus, antes de continuarmos. Quando Jesus ao dizer: “Tu és Pedro (petros) e sobre esta rocha (petra) edificarei minha Igreja”, está fazendo um trocadilho interessante com a palavra “pedra”. Ao se referir à Pedro (petros), está mencionando um fragmento de rocha, e ao se referir à base (petra) da edificação da Igreja, está trazendo o significado de rocha, rochedo, penhasco.

A igreja é um corpo espiritual e isso é mencionado aqui pela primeira vez. Se Pedro fosse a rocha, ele mesmo jamais teria escrito o que está em 1 Pedro 2.1-9: “E, chegando-vos para ele, pedra viva, reprovada, na verdade, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa”. E Paulo, em Efésios 2.20, ratifica o pensamento de Cristo: “Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina”. Ou Seja, Jesus, o Filho do Deus Vivo é a rocha (penhasco) sobre a qual nós, como pedras, estamos formando um edifício, a Igreja.

A controvérsia está em se Pedro realmente é a rocha sobre cuja Igreja estaria fundamentada. É claro que isso não é possível, primeiro pelo texto analisado onde petros e petra traduzem significados diferentes, além do que quando Jesus fala com Pedro ele se refere a “tu” e quando fala sobre a rocha, ele muda o foco do texto “esta”. Esta qual? A confissão de Pedro. Mas vamos desmistificar isso no próprio contexto. Jesus disse logo após esta afirmação que as “portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja”. Se andarmos um pouco mais no texto, veremos que Pedro se torna extremamente vulnerável ao inferno, a ponto de confrontar o Mestre em seu plano de redenção. Como pode alguém assim ser o fundamento da Noiva do Cordeiro?

Vejamos algumas das interpretações das pedras que Davi escolheu.

As pedras de Davi, portanto, podem se referir à toda a base do Antigo Testamento, a Lei que estão nos cinco livros de Moisés e que apontam para o sacrifício perfeito de Cristo. Então, se temos que Cristo é a Rocha, a Pedra perfeita, e que o AT aponta para Jesus, então Davi, tipologicamente leva consigo o próprio Cristo. Mas Jesus é apenas um, como então serão 5 pedras e não uma? A revelação disso está neste versículo: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” (Isaías 9.6).

Alguns ainda interpretam que Davi pegou as cinco pedras, porque Golias possuía mais quatro irmãos, e caso precisasse, derrubaria os outros gigantes também.

Como Jesus é a base de tudo, nós somos as pedras vivas que unidas constróem as paredes da Igreja, e se fôssemos mergulhar na intenção das pedras de Davi para nós, poderíamos dizer que a estrutura da Igreja está sobre Cristo a Rocha, mas formada sobre:
As cinco divisões da nova aliança: Evangelhos, Atos, Epístolas Paulinas, Epístolas Universais e a Revelação. Enquanto o AT baseava-se na lei (Pentateuco), o NT baseia-se nestas divisões;
Nos cinco dons ministeriais: apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e doutores e mestres.

Entendemos até aqui sobre o número cinco, sobre as pedras, mas porque estas pedras deveriam ser do ribeiro?

Ribeiro

Ribeiro vem de um termo comum no hebraico e ocorre 130 vezes na Bíblia, e em alguns lugares traduzido como “vale”. Temos alguns famosos vales (ribeiros) na Bíblia, veja por exemplo, o Ribeiro de Arnon (Dt 2.24), um outro é o Ribeiro de Quison (Jz 4.7,13), Ribeiro do Querite (1 Sm 17.5) e talvez o mais famoso é o Ribeiro de Jaboque (Gn 32.22; Dt 2.37). No Jaboque Deus tratou profundamente com Jacó.

Porque as pedras precisavam ser do ribeiro?

As pedras tinham que ser lisas: no ribeiro a água não para de passar, e esta água é quem rola as pedras, junto com o clima frio e o clima quente, alterando o formato da pedra, tirando as pontas;
Ribeiro é em um vale: pra encontrar as pedras certas, é preciso descer ao vale e escolher.

Para se vencer no vale, é preciso ter estrutura:
Reconhecer que não é nada – número cinco;
Admitir que com Cristo, podemos tudo – pedras;
Agir com humildade – descer ao ribeiro;

Alforge ou Surrão

O alforje era uma sacola ou bolsa de couro usualmente carregada por um mendigo, peregrino ou um pastor. A palavra aparece poucas vezes na Bíblia, apenas 9, incluindo o termo no plural.

No Antigo Testamento, o termo é mencionado apenas 3 vezes, todas por Samuel, em seu primeiro livro.

A primeira menção se dá quando o pai de Saul perde as suas jumentas e pede a Saul para que com um dos seus moços procurem por elas, mas não as encontrando decidem visitar o profeta, porém ficam constrangidos de não terem pão nos alforjes para presentear o profeta (veja 1 Sm 9.7). As outras duas vezes, aparecem quando Samuel apresenta Davi no desafio com o gigante (1 Sm 17.40,49).

Já no Novo Testamento, a palavra aparece em Mt 10.10; Mc 6.8; Lc 9.3, 10.4, 22.35, 22.36, e em todas elas quem menciona o alforje é o próprio Jesus.

Sendo assim, nós temos três personagens bíblicos que estão ligados ao alforje: Saul, Davi e Jesus (neste caso diretamente os seus discípulos), e em todas elas o elemento relacionado a ele era a provisão, o mantimento. Seja ele dinheiro, grãos ou pão.

Qual então era a importância do alforje para Davi? Era nele onde Davi provinha para si o mantimento quando precisasse. Trazendo para a nossa vida espiritual, precisamos sempre de um alforje para quando necessitarmos de provisão, teremos de onde tirar. E o que isso significa? Que a terceira arma que Davi possuía para enfrentar o gigante era o relacionamento íntimo com Deus.

O relacionamento íntimo com Deus se dava através da oração. Imagina o quanto Davi, enquanto estava sozinho no pasto, orava e conversava com Deus. Quando passava por tribulações, orava a Deus. Quando estava angustiado, orava a Deus. Este possuía um alforje constante consigo, era colocar a mão e com certeza sairia mantimento.

Davi, no Salmo 10 ora a Deus implorando Sua ajuda no tempo da angústia, já no Salmo 17 Davi expõe a sua confiança em Deus, e no Salmo 41 Davi ora confessando sua fraqueza.

Talvez o Salmo mais conhecido de Davi, seja o Salmo 23, a qual Halley sugere que tenha sido escrito quando Davi ainda era um menino e cuidava das ovelhas de seu pai, e é uma oração de louvor ao Deus Todo-Poderoso como o Pastor que provê tudo o que é necessário às suas ovelhas.

Davi enxerga em Deus, o que ele próprio era para suas ovelhas. Ele nunca faltou para com as ovelhas do seu pai, e sabia que Deus nunca faltaria na sua vida; ao se utilizar da palavra pastor, ele renuncia ao título de rei, libertador, rocha, escudo, porque ele sabia que é o pastor quem vive no meio do rebanho, sendo tudo para ele: guia, médico e protetor.

Davi era um fiel orador, estava sempre em contato com o Senhor, veja o que diz o Salmo 72.20: “Aqui acabam as orações de Davi, filho de Jessé”, ou seja, muitas foram as orações que Davi havia feito.

Aprendemos com Davi que ao enfrentar o gigante faz-se necessário o alforje com muito mantimento, pois vivia em oração. A oração é essencial para manter a comunhão com Deus, que por sua vez é fundamental para se vencer os gigantes.

A Oração

Torrey, o grande evangelista dizia: “O principal objetivo da oração é que Deus seja glorificado na resposta”. Thomas Watson também se referia à oração de forma singular dizendo: “Oração é a chave do céu; fé é a mão que a faz girar”.

Primeiramente precisamos definir de forma clara para o contexto aqui o que é oração: oração não é o mantimento, oração preserva o mantimento.

A oração reconhece o poder e a personalidade de Deus, bem como seu interesse por nós, porém, o pecado tem feito separação entre Deus e os homens (Is 59.1-2). Por isso Jesus ensinou que Deus é um pai generoso para com seus filhos (Mt 7.7-11).

Vemos que a oração tem sua primeira menção em Enos, e desde então nunca mais deixou de fazer parte da vida humana.

Algumas orações são famosas na Bíblia, por exemplo, Elias fez uma das menores orações no Monte Carmelo, e Deus atendeu mandando fogo do céu (1 Rs 18), demonstrando que Deus não está preocupado com oração eloquente. Temos ainda a oração de Daniel (Dn 10), que demonstra que Deus ouve a nossa oração. A oração do rei Ezequias (2 Rs 20), mostrando que Deus se compadece de nossas situações.

O maior exemplo de servo que ora, com certeza é o próprio Cristo, e uma das suas orações mais fortes, foi aquela em que sozinho, em meio à grande tristeza, ora no Getsêmani e nos ensina o princípio fundamental da oração: temos o direito de pedir, mas de Deus vem a decisão (Mt 26).

Com estes exemplos, podemos afirmar que a oração é uma das grandes armas do cristão diante da afronta do gigante, não que ela será utilizada para ferir, mas ela preserva o teu mantimento e as tuas forças.

Um exemplo fantástico sobre a oração talvez seja o testemunho de Billy Grahan, quando ainda adolescente foi, junto aos colegas de escola, visitar o local onde morava a família do grande reformador John Wesley. Ao visitar todos os cômodos da casa, todos os alunos saem e vão ao ônibus. Quando todos estão no ônibus, o professor sente falta de um dos alunos, e volta à casa para o buscar, o qual está ao lado da cama de Wesley com seus joelhos abertos no tapete furado, onde Wesley orava, e dizia: “faz de novo Senhor, faz de novo Senhor”.

A oração de Wesley venceu o maior gigante da igreja, em sua época e na nossa época: a frieza espiritual.

A Funda

A palavra é encontra cerca de seis vezes na Bíblia. Era uma arma simples utilizada para atirar pedras, seja por um pastor a fim de proteger o rebanho ou alertar alguma ovelha que está se desviando, ou mesmo como arma em guerras, porque a Bíblia mesma diz que Uzias preparou fundas como armas militares (2Cr 26.14) e existiam 700 benjamitas especialistas em manejar a funda (Jz 20.16). Alguns monumentos egípcios retratam homens usando fundas.

A funda era composta de uma tira larga de couro que podia segurar com firmeza uma pedra de cerca de 40mm de diâmetro. A tira era presa a duas cordinhas feitas de tendões, corda ou couro, de cerca de 60cm de comprimento. A pedra era colocada na bolsinha e a funda girada, de modo que a pedra não se desprendia por causa da força centrífuga. Quando um dos cordões era afrouxado, a pedra saltava com força e uma velocidade tremendas; sua velocidade pode chegar a mais de 100 km/h, quase a velocidade de uma bala de revólver.

A palavra funda vem de um termo hebraico que também é traduzido por cortina como em Ex 27.9 e Nm 3.26. A sua raiz original vem da palavra entalhar de 1Rs 6.29, 32, 35.

O tabernáculo, possui inúmeros detalhes, e cada um destes detalhes são uma fotografia de Cristo. Ao olharmos para esta cortina, entendemos que a trajetória de um homem rumo ao Santo dos santos, lugar de encontro com Deus, a primeira fotografia que este homem vê, é exatamente esta cortina. Esta cortina era colocada apoiada sobre 60 colunas de bronze. Era feita de 3 materiais diferentes, mas do lado de fora, o homem conseguia enxergar apenas um destes materiais: o linho fino.

Alguns textos podem nos ajudar a desvendar este mistério do linho fino, vejamos:

  • Ap 19.11-14: finíssino, branco e puro;
  • Ap 19.6-8: finíssino, resplandecente e puro -> As vestes não eram oriundas da multidão que as usavam, o que podemos afirmar que ninguém possui as vestes brancas por si só;
  • Ap 7.13-14: como as vestes se tornam brancas;

Com estas leituras dos textos bíblicos, sem equívoco nenhum, esta cortina representa a pureza e a santidade. Davi, antes de seguir avante contra o Golias, era precisava ter a certeza de estar com a vida no altar, com a vida santificada e pura.

Quem não conhece aquelas velhas histórias de irmãozinhos “metidos” a santarrões, pensando que são a reencarnação de Cristo na Igreja, se envolvem em um episódio de libertação de pessoas possessas, e aquele maldito demônio humilha este santarrão? Isso acontece, porque não estava com a vida em santidade antes de entrar na batalha.

Santidade não é perfeição, é consagração, separação para uso de Deus. Enquanto não tivermos com a nosa vida no altar, coma nossa vida em santidade e pureza, não há como derrubar os gigantes que nos desafiam todos os dias.

Conclusão

Chegando ao final deste estudo, temos que o que levou Davi à vencer o gigante era a sua grande autoridade espiritual, reconquistada e mantida para a glória e propósitos divinos. As cinco pedras do ribeiro, representam a nossa dependência do Senhor e estrutura espiritual, forjada ao descermos no vale(ribeiro), como o de Jaboque. Unida à oração e o devocional com Deus representados pelo alforje, todo bom guerreiro fica à um passo de garantir a vitória contra o gigante: vida de pureza e santidade.