Autoria: Paulo | Data: 61 – 63 d.C.

Introdução

O termo “em Éfeso” não se encontra nos textos mais antigos, porém, este termo foi preservado pois encontrou apoio dos Pais da Igreja e foi reforçado pela evidência do Textus Receptus. O termo surgiu da necessidade de se identificar a carta com alguma igreja específica, e Éfeso parece ter sido escolhida por três principais motivos:

  1. Havia uma nota marginal, talvez de algum estudo bíblico, no texto muito antiga fazendo referência à Éfeso;
  2. Éfeso era uma cidade muito próxima da região envolvida pela carta (Ásia Menor);
  3. Éfeso era a principal cidade da Ásia Menor.

A cidade

A cidade de Éfeso era um importante centro político, comercial, educacional e religioso e a mais importante da província romana da Ásia. Era a cidade da conhecida divindade Diana (para os romanos) ou Ártemis (gregos) e de seu monumentoso templo, considerado uma das sete maravilhas do mundo antigo.

Havia uma nomerosa colônia judaica em Éfeso, e os judeus desfrutavam ali de privilegiada posição durante o início do império romano. Provavelmente o cristianismo tenha chegado à Éfeso através de Áquila e Priscila (52 a.C.), quando Paulo, em sua segunda viagem missionária passou por ali e os deixou como responsáveis pela obra naquele lugar.

Ainda em sua terceira viagem missionária, Paulo passou novamente em Éfeso, ficando ali por cerca de 3 anos. Foi neste período que o cristianismo fortaleceu-se naquele lugar gerando muitos “inimigos” que se levantaram, principalmente entre os líderes do ocultismo praticado naquela cidade.

Após a partida de Paulo, Timóteo foi deixado como pastor daquela Igreja (1Tm 1.3), e de cara teve que enfrentar severamente questões de falsas doutrinas.

Irineu e Eusébio afirmam que Éfeso se tornou lar de João, que registrou alguns dos acontecimentos vivenciados por ele na cidade, enquanto ali habitava.

A carta

A carta aos efesios transborda revelação divina, sendo fruto da vida intensa de Paulo na oração. É tão bem estruturada quanto o grande templo de Diana e contêm riquezas e belezas ainda maiores.

Esta carta foi a primeira das “epístolas do cárcere”, e as outras foram: Colossenses (Cl: 4:7-9); Filemon (Fm: 1:10-12) e Filipenses, com exceção desta última, todas as outras foram levadas pelo mesmo mensageiro (Tíquico).

Quanto ao seu conteúdo, dentre as abordagens doutrinárias enfatizadas por Paulo, a mais extensivamente tratada é a da Igreja a qual é descrita através de 3 imagens:

  1. O corpo (Ef: 1:23);
  2. A noiva (Ef 5: 22);
  3. Templo do Espírito Santo (Ef 2: 19-22)

Desta forma, entende-se que Paulo está vislumbrando a Igreja como organismo vivo e não como uma mera instituição religiosa.

Por este motivo esta epístola é importante para nós, pois nos ajuda a enxergar a Igreja não como uma simples “organização filantrópica” e nos enxergarmos como expressões vivas de Cristo.

Dentro da abordagem do tema principal: Igreja, o foco maior de Paulo e salientar a unidade da mesma. Nesta linha de pensamento, notamos que Paulo utiliza o termo “em” cerca de 90 vezes ressaltando a união do Crente “em” Cristo. Por isso Paulo doutrina que os gentios não precisam se converter ao judaísmo antes de abraçarem o cristianismo, pois o apóstolo não queria que existissem duas igrejas rivais: uma gentília e outra judaica.

O pano de fundo da carta traz o vazio espiritual vivido pelos habitantes de Éfeso e como o cristianismo contrariava os fortes interesses financeiros, políticos e religiosos da sua população (interesses de quem estava vivendo em trevas espirituais), a Igreja era alvo de grandes perseguições, principalmente nas regiões celestiais.

Em sua divisão geral, a carta traz dois temas fundamentais do Novo Testamento

  • Como somos redimidos por Deus (1 – 3);
  • Como os redimidos devem viver (4 – 6).

Timóteo sucedeu à Paulo no pastoreio da Igreja em Éfeso (1Tm: 3 – 4).

Considerações finais

Nos últimos 300 anos, a autoria de Paulo para a carta, tem sido severamente colocada em dúvida, no entanto, não há convencimento sobre os argumentos utilizados pelos críticos, visto que a autoria paulina é reconhecida desde a antiguidade.
Após 30 anos, esta Igreja recebeu outra carta, enviada desta vez pelo apóstolo João (Ap 2).

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