A chave do conteúdo do Evangelho de João é constituída pela declaração do próprio autor em João 20:30,31:

Três palavras se destacam nesta passagem: sinais, creiais e vida. A primeira destas palavras é uma indicação quanto à organização do Evangelho em volta de um número escolhido de milagres, paralelos em caráter geral àqueles que estão registados nos Evangelhos Sinóticos, mas chamados sinais aqui devido ao seu significado especial neste Evangelho.

Sete são nomeados e foram realizados por Jesus publicamente em outras pessoas ou para benefício de outras pessoas. Ilustram diferentes áreas do Seu poder e coletivamente dão testemunho à doutrina central deste Evangelho, a Sua divindade. Podem ser classificados como segue:

Sete milagres no Evangelho de João

Sete milagres no Evangelho de João

Estes sete milagres deram-se precisamente nas áreas em que o homem é incapaz de efetuar qualquer mudança de leis ou condições que afetem a sua vida. Nessas áreas se provou Jesus poderoso onde o homem é impotente; e as obras que Ele fez testificam a sua sobrenatural capacidade.

A segunda palavra “creiais” é a palavra-chave neste Evangelho, onde ocorre noventa e oito vezes. É traduzida vulgarmente por “crer”, ainda que algumas vezes se traduza por confiar (2:24). Usualmente, significa reconhecimento de uma pretensão pessoal, ou então significa entrega completa do indivíduo a Cristo. Nela se encontra o significado pleno de toda a vida cristã, pois o tempo do verbo usado nesta passagem implica o processo contínuo de fé, envolvendo também progresso. João define a fé em Cristo como recebê-Lo (1:12), fazendo-O uma parte da vida da pessoa. Convencido por sinais, que eram provas do poder da pessoa de Jesus, o crente avançava logicamente para uma fé fixa.

A terceira palavra na chave do Evangelho é vida, que, na linguagem joanina, é a soma total de tudo o que é concedido ao crente na salvação. É a mais alta experiência de que a humanidade é capaz. “Esta”, disse Jesus, “é a vida eterna, que conheçam a ti único verdadeiro Deus, e a Jesus Cristo, aquele que tu enviaste” (17:3). A vida, segundo João, não é somente a vitalidade animal ou o curso da existência humana. Abrange uma índole amável, uma nova consciência, ação recíproca com o ambiente e desenvolvimento constante. Cristo é apresentado como exemplo dessa vida que é dom de Deus ao crente e a meta de Deus para o crente.

Estas três palavras, sinais, fé e vida fornecem uma organização lógica ao Evangelho. Nos sinais está a revelação de Deus; na fé está a reação que eles estão preparados para produzir; na vida o resultado que a fé traz.

Fonte: Merril Tenney