Texto: Romanos 1.16-17

INTRODUÇÃO

A Epístola aos Romanos foi escrita como substituto do contato pessoal imediato e como prelúdio para a transformação da Igreja romana num centro missionário comparável a Antioquia, Éfeso, Filipos e as outras cidades onde Paulo trabalhara. Romanos, portanto, ao contrário de Coríntios, não se dedica tanto à correção do erro como ao ensino da verdade. A maior parte das epístolas paulinas são de polêmica ou corretivas. Romanos é primordialmente uma epístola didática.

Paulo a escreveu, estando em Corinto por volta de 56 d.C. e encaminhada aos irmãos em Roma pela irmã Febe (Rm 16.1).

O tema central de Romanos é a revelação da justiça de Deus ao homem e a aplicação desta à sua necessidade espiritual. O seu tema é, assim, basilar em toda a experiência cristã, pois ninguém pode entrar em contato com Deus senão depois de estabelecida uma via de acesso adequada. A Epístola aos Romanos tem sido há muito a espinha dorsal da Teologia Cristã.

Sete Destaques Caracterizam Romanos:

  1. Romanos é a mais sistemática Epístola de Paulo; a Epístola teológica por excelência do Novo Testamento;
  2. Paulo escreve num estilo de pergunta e resposta, ou de diálogo (Rm 3.1, 4, 6, 9, 31);
  3. Paulo usa amplamente o Antigo Testamento como a autoridade bíblica na apresentação da verdadeira natureza do Evangelho;
  4. Paulo apresenta “a justiça de Deus” como a revelação fundamental do Evangelho (Rm 1.16,17); Deus restaura e ordena a situação do homem em Jesus Cristo e através Dele.
  5. Paulo focaliza a natureza dupla do pecado, bem como a provisão de Deus em Cristo para cada aspecto; o pecado como uma transgressão pessoal (Rm 1.1-5.11) e o pecado como um princípio ou lei, i.e., a tendência natural e inerente para pecar, existente no coração de toda pessoa, desde a queda de Adão (Rm 5.12-8.39);
  6. O capítulo 8 é o mais longo da Bíblia sobre a obra do Espírito Santo na vida do crente;
  7. Romanos contém o estudo mais profundo da Bíblia sobre a rejeição de Cristo pelos judeus, bem como sobre o plano divino – redentor para todos, alcançando por fim Israel (Rm 9-11).

INTERPRETAÇÃO DOS VERSÍCULOS

Os versículos 16 e 17 formam o tema e uma prévia de todo o conteúdo da epístola. Este tema é, provavelmente, baseado nos paralelismos hebraicos entre salvação e justiça, constantes do Velho Testamento (Is. 45:21; 51:5-8; 56:1; 61:10 e s.; Sal. 24:5; 31:1). Um bom exemplo é Isaías 56:1: “A minha salvação está prestes a vir e a minha justiça a manifestar-se.” Ainda mais aproximado de Romanos 1:16-17, está Salmos 98:2: “O Senhor fez notória a sua salvação, manifestou a sua justiça perante os olhos das nações.”

O evangelho mostra como Deus torna as pessoas justas à sua vista, as nove palavras do versículo 17 traduzem dois termos gregos que significam, literalmente, “justiça de Deus” (diakaiosynê theou : “retidão divina”). Do começo ao fim, isso se dá mediante a confiança (At 3.16). Paulo extrai este termo de Habacuque e pode ser traduzido literalmente como: “Porque no evangelho é revelada a justiça de Deus, de fé em fé, como está escrito: ‘O justo viverá pela fé’.”

A expressão ek pisteõs eis pistin (de fé em fé) tem sido interpretada de diversas maneiras. Dodd afirma que significa uma fé “do começo ao fim”. T. F. Torrance, interpreta a expressão com o significado “da fidelidade de Deus à fé do homem”. Murray emite a sua opinião após estudar a analogia de Rm 3:22 (“pela fé em Jesus Cristo para todos os que crêem”), ele diz que esta repetição da palavra fé é feita “para acentuar o fato de que a justiça de Deus não apenas se manifesta a nós de maneira salvadora pela fé, mas ela também se manifesta de maneira salvadora para todos os que crêem”. Tertuliano e Orígenes: “da fé na lei à fé no evangelho”, pois o uso das duas preposições ek e eis com a mesma palavra normalmente supõe que o sentido da palavra regida por elas seja o mesmo (cf. 2Cor 2,16; 3,18); Huby Lagrange: “de uma fé inicial a uma fé mais perfeita”, que explora a noção de progresso frequentemente associada a essa expressão preposicional (Sl 84.8); a economia divina da salvação é partilhada cada vez mais por um ser humano à medida que a fé cresce;

A questão a respeito da tradução feita por Paulo, de Habacuque 2:4, e o significado que está por detrás dela, também produziu debate. A maior parte dos comentários, mediante o apelo à gramática e concordando com J. B. Lightfoot, diz: “O justo viverá pela fé.” Isto significa que ek pisteõs está relacionado mais intimamente com zésetai (viverá).

A SALVAÇÃO E A JUSTIFICAÇÃO

“Como se justificará o homem para com Deus?” perguntou Jó (9:1). “Que é necessário que eu faça para me salvar?” interrogou o carcereiro de Filipos. Ambos expressaram a maior de todas as perguntas: Como pode o homem acertar sua vida perante Deus e ter certeza da aprovação divina?

A resposta a essa interrogação encontra-se no Novo Testamento, especialmente na epístola aos Romanos, na qual se apresenta, em forma sistemática e detalhada, o plano da salvação, mais especificamente os versísulos em estudo (1.16-17).

A salvação, portanto, foi proporcionada a todos, mas se aplica somente àqueles que crêem. “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus” (Ef 2.8). “A justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que crêem” (Rm 3.22). Como também já estudamos, nós somos “justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus, ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue” (Rm 3.24,25).

A salvação é um conceito amplo que engloba três estágios: a salvação do castigo passado merecido pelo nosso pecado, a salvação do poder presente do pecado, e a salvação da presença futura do pecado. Estes estágios são denominados, respectivamente: justificação, santificação e glorificação.

O QUE É JUSTIFICAÇÃO?

A justificação é o ato pelo qual somos declarados justos diante de Deus, embora sendo injustos por nós mesmos. Várias palavras gregas descrevem o ato da justificação.

Dikaios significa “justo” ou “reto”; ela é utilizada para se referir aos seres humanos (Mt 1.19; 5.45; 9.13, etc.), a Cristo (At 3.14; 7.52; 22.4; Rm 5.7), a Deus (Rm 3.26) e à salvação (Rm 1.17; G1 3.11; Hb 10.38).

Dikaiosyne (justiça) pode se referir à justificação prática, ou a justificação posicional. A Teologia Sistemática se refere a ela neste segundo sentido.

Dikaioo significa “justificar” ou “justificado.” Esta palavra, às vezes, se refere a Deus (Lc 7.29; Rm 3.4), a Cristo (1 Tm 3.16) ou à salvação. Romanos 4.2-5 é uma passagem fundamental: “Porque, se Abraão foi justificado pelas obras, tem de que se gloriar, mas não diante de Deus. Pois, que diz a Escritura? Creu Abraão em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça. Ora, àquele que faz qualquer obra, não lhe é imputado o galardão segundo a graça, mas segundo a dívida. Mas, àquele que não pratica, porém crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça.”

Dikaíosis é traduzida como justificação (Rm 5.18). Paulo declara acerca de Cristo: “O qual por nossos pecados foi entregue e ressuscitou para nossa justificação” (Rm 4.25). E importante notarmos que justificação significa “declarar justo” (e não “fazer justo”), porque:

  • Ela é feita independentemente das obras (Rm 1.17; 3.20; 4.2-5);
  • Ela é feita aos pecadores (Rm 3.21-23); e
  • Ela é um ato jurídico (legal) (Rm 4.4-6; 5.18).

O CONCEITO DE JUSTIFICAÇÃO

Assim como a regeneração leva a efeito uma mudança em nossa natureza, a justificação modifica a nossa situação diante de Deus. O termo “justificação” refere-se ao ato mediante o qual, com base na obra infinitamente justa e satisfatória de Cristo na cruz, Deus declara os pecadores condenados livres de toda a culpa do pecado e de suas conseqüências eternas, declarando-os plenamente justos aos seus olhos. Cristo já pagou a penalidade integral do pecado (Rm 3.21-26).

Como ocorre a justificação, em relação ao crente? A Bíblia deixa duas coisas bem claras:

  1. Em primeiro lugar, não é por causa de nenhuma boa obra de nossa parte. Realmente, “Cristo morreu debalde” se a justiça provém da obediência à Lei (Gl 2.21). Quem procura ser justificado mediante a Lei está sujeito à maldição (Gl 3.10), foi “separado de Cristo” e “caiu da graça” (Gl 5.4). Quem imagina estar mais justificado depois de servir ao Senhor durante cinco ou 55 anos ou pensa que boas obras obtêm mérito diante de Deus, deixou de compreender o ensino bíblico.
  2. Em segundo lugar, no próprio âmago do Evangelho encontra-se a verdade de que a justificação tem sua origem na livre graça de Deus (Rm 3.24) e sua provisão no sangue que Cristo derramou na cruz (Rm 5.19), e nós a recebemos mediante a fé (Ef 2.8). É comum, quando ocorre a idéia da justificação no Novo Testamento, a fé (ou o crer) achar-se ligada a ela (cf. At 13.39; Rm 3.26,28,30; 4.3,5; 5.1; Gl 2.16; 3.8). A fé nunca é o fundamento da justificação. O Novo Testamento jamais afirma que a justificação é dia pistin (“em troca da fé”), mas sempre dia pisteos, (“mediante a fé”). A Bíblia não considera meritória a fé, mas simplesmente como a mão vazia estendida para aceitar o dom gratuito de Deus. A fé tem sido sempre o meio de se receber a justificação, mesmo no caso dos santos do Antigo Testamento (cf. Gl 3.6-9).

A justificação nos torna “herdeiros, segundo a esperança da vida eterna” (Tt 3.7). Em louvor à justificação, Charles Wesley escreveu:

Não temo agora a condenação;
Sou do Senhor e Ele é meu;
Vivo em Jesus minha salvação,
Vestido da justiça que vem de Deus.

Lutero, um menino pobre, filho de camponeses que se destacou como um grande estudioso de direito e filosofia, mas abandonou todo a promissora expectativa de ser um grande profissional para se apegar às coisas de Deus. Nascido no meio de um turbilhão de erros doutrinários dentro da igreja de Roma, porque não havia outra devido às perseguições aos “hereges”, cresceu fiel à sua instituição religiosa, até o dia em que estava subindo às escadas de uma grande igreja de joelhos, ao ouvir, como voz de trovão uma voz: “o justo viverá da fé”.

Ao se deparar com uma Bíblia, ganhada de um santo monge, ele então se enfiou a estudar as Sagradas Escrituras e começando por Romanos, já no primeiro capítulo se deparou com os versículos 16 e 17, onde estava escrito que o justo viveria da fé. Até então, isso era como um martírio para Lutero, pois ele via nisso uma forma de Deus, que é justo, castigar os homens que são pecadores. Tempo orando sobre o texto, meditando, ele teve a revelação de Deus que o texto não condenava o homem, mas justificava o mesmo.

Após tratar de algumas informações históricas preliminares, conduzindo sua narrativa até o ano de 1519, Lutero começou a descrever suas dificuldades pessoais com a questão da “justiça de Deus”:

Com toda certeza, gostaria de ter compreendido o que Paulo dizia em sua carta aos Romanos. Contudo, o que me impedia de compreendê-lo não era tanto a falta de coragem, mas aquela frase do primeiro capítulo: ‘Porque no evangelho é revelada a justiça de Deus’ (Rm 1.17). Pois eu odiava aquela expressão, ‘a justiça de Deus’, que haviam me ensinado a entender como a justiça por meio da qual Deus, que é justo, pune os pecadores injustos. Embora, como monge, vivesse uma vida irrepreensível, sentia-me um pecador com a consciência culpada diante de Deus. Eu também não podia acreditar que havia agradado a Deus com minhas obras. Longe de amar aquele Deus justo que punia os pecadores, eu, na verdade, o odiava… Ficava desesperado para saber o que Paulo queria dizer naquela passagem. Por fim, à medida que meditava dia e noite a respeito da relação que havia entre aquelas palavras, ‘Porque no evangelho é revelada a justiça de Deus, uma justiça que do princípio ao fim é pela fé’, como está escrito: ‘O justo viverá pela fé’, comecei a entender a ‘justiça de Deus’ como aquela justiça por meio da qual o justo vive pelo dom de Deus (a fé); em que essa frase: ‘é revelada a justiça de Deus’, faz referência a uma justiça passiva, por meio da qual o Deus misericordioso nos justifica pela fé, conforme está escrito, ‘O justo viverá pela fé’. Imediatamente, tive a sensação de haver nascido de novo, como se tivesse entrado pelos portões abertos do paraíso. Desde aquele momento, vi toda a Bíblia sob a perspectiva de uma nova luz… E agora, aquilo que eu havia uma vez odiado na frase ‘a justiça de Deus’, comecei a amar e a glorificar como a mais doce das frases, pois essa passagem em Paulo tornou-se para mim o verdadeiro portão do paraíso.

Nessa passagem, Lutero conta como descobriu um “novo” sentido para essa expressão – uma justiça que Deus concede ao pecador. Em outras palavras, Deus satisfaz o pré-requisito, dando graciosamente aos pecadores aquilo que eles precisam para que sejam justificados. Uma analogia (que não foi usada por Lutero) pode ajudar a demonstrar as divergências existentes entre essas duas perspectivas.

Suponha que você esteja preso e que lhe ofereçam a oportunidade de conseguir sua liberdade, sob a condição de que você pague uma elevada multa. A promessa é real – desde que você possa satisfazer o pré-requisito, a promessa será cumprida. Como observamos anteriormente, Pelágio trabalha com o pressuposto, do qual Lutero compartilha inicialmente, pelo menos em parte, de que você possua o dinheiro necessário amontoado em algum canto. Como sua liberdade vale muito mais do que isso, a oportunidade oferecida representa uma verdadeira pechincha. Portanto, você paga a multa. Isso não apresenta grandes dificuldades, pois você tem os recursos necessários.

“A razão pela qual algumas pessoas não entendem porque somente a fé justifica é por não entender o que é a fé”. Ao escrever estas palavras, Lutero chama nossa atenção para a necessidade de investigar mais de perto essa palavra enganosamente simples: “fé”. Pode-se destacar três pontos relacionados à idéia de fé, conforme a concepção de Lutero:

  1. Em primeiro lugar, a fé não significa apenas conhecimento histórico: Lutero argumenta que uma fé que se contenta em sustentar a credibilidade histórica dos evangelhos não é uma fé que justifica;
  2. Em segundo lugar, a fé deve ser entendida como “confiança” (fiducia): Todas as coisas dependem da fé. A pessoa que não tem fé é como alguém que tem que atravessar o oceano, mas está tão amedrontado que não confia em seu navio. Assim, essa pessoa permanece onde está e nunca é salva, pois jamais subirá a bordo do navio nem cruzará os mares. Recorrendo à analogia de Lutero: fé não se restringe apenas em acreditar que o navio existe, mas significa estar pronto para subir a bordo desse navio, confiando nossa vida a ele;
  3. Em terceiro lugar, a fé une o cristão a Cristo: A fé não é a aceitação de um conjunto de doutrinas abstratas, mas representa uma união entre Cristo e o cristão.

Segundo a Confissão de Westminster a justificação é “um ato da livre graça de Deus, por meio do qual ele perdoa todos os nossos pecados e nos aceita como justos a seus olhos, somente pela justiça de Cristo a nós imputada e recebida somente pela fé”. Isso concorda com as confissões luteranas que ensinam a mesma doutrina. Resumindo, a justificação é um ato da graça de Deus para com o pecador, e não, como a santificação, uma obra contínua e progressiva. A base meritória para a justificação não é a fé, a fé é a condição da justificação.

A palavra “justificar” é termo judicial que significa absolver, declarar justo, ou pronunciar sentença de aceitação. A ilustração procede das relações legais. O réu está perante Deus, o justo Juiz; mas, ao invés de receber sentença condenatória, ele recebe a sentença de absolvição.

Ora, a pergunta é: “Sobre que base pode Deus declarar justo o pecador neste sentido legal ou judicial?”. Qual, pois, é a base? A Bíblia e o povo de Deus respondem unanimemente: “A justiça de Cristo” (Rm 7.4). Deus comprou a Igreja com seu próprio sangue (At 20.28). Foi o Senhor da glória que foi crucificado (l Co 2.8).

Cristo é a base da justificação: se “justo” significa bom, isto é, se a palavra for tomada em seu sentido moral e não judicial, então é absurdo dizer que uma pessoa pode ser boa com a bondade de outro; ou dizer que Deus pode declarar bom a um homem que não é bom. Belarmino diz que um etíope vestido de uma túnica branca continua sendo não branco. Quando Deus justifica o ímpio, não está declarando que ele é piedoso, mas que seus pecados foram expiados, e que tem título para a vida eterna com base na justiça.

Com isso podemos ensinar que a justificação é um ato judicial ou forense, isto é, um ato de Deus como juiz agindo com base na lei, declarando que o pecador é justo, ou seja, que a lei já não mais o condena, mas o absolve e o declara com direito à vida eterna.

CONCLUSÃO

O pecado é uma pré-condição para a salvação; e a salvação não é necessária se não houver pecadores que necessitem dela. Quanto à origem da salvação, existe um consenso universal entre os teólogos ortodoxos: Deus é o autor da salvação, pois apesar de o pecado humano ter a sua origem nos homens, a salvação vem do céu, e tem a sua origem em Deus.

O milagre do Evangelho é que Deus se aproxima dos ímpios, com uma misericórdia absolutamente justa e os capacita pela fé, a despeito do que são, a entrarem em nova relação com ele, relação pela qual é possível que se tornem bons. O segredo do Cristianismo do Novo Testamento, e de todos os avivamentos e reformas da igreja, é justamente este maravilhoso paradoxo: Deus justifica o ímpio!

Justificação inclui mais do que perdão dos pecados e remoção da condenação, pois no ato da justificação Deus coloca o ofensor na posição de justo.

Lutero sugere que pela fé o cristão é revestido da justiça de Cristo, praticamente da mesma forma que ocorre em Ezequiel 16.8, texto que fala de um Deus que cobre nossa nudez com sua capa. Para Lutero, a fé é o correto (ou o justo) relacionamento com Deus. Portanto, o pecado e a justiça coexistem; permanecemos internamente pecadores, mas externamente somos justos aos olhos de Deus. Ao confessar nossos pecados pela fé, estabelecemos um relacionamento correto e justo com Deus. Sob nossa própria ótica, somos pecadores; porém, sob a ótica de Deus, somos justos. Essas idéias foram levadas adiante, posteriormente, pelo seguidor de Lutero, Filipe Melancton, resultando na doutrina agora geralmente conhecida como “a justificação forense”. Melancton traça uma nítida distinção entre o evento de ser declarado justo e o processo de se tornar justo, chamando o primeiro de “justificação” e o segundo de “santificação” ou “regeneração”.

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