Texto: Marcos 8.34

Quando Jesus saiu de Betsaida, rumo a Cesaréia de Felipe, com os seus discípulos, logo após ter realizado o milagre na vida de um cego, Cristo transmite seus últimos ensinamentos aos discípulos.

Cesaréia de Felipe, um lugar frio, rodeado de muitas águas, ficava a 350 metros de altura junto à uma das fontes do rio Jordão. Ali havia muita adoração à Baal, e quando os gregos ocuparam a área, erigiram também um santuário à Pã, deus da natureza e pra completar era também ovacionado ali, o imperador. Foi neste lugar que Jesus ensinou aos discípulos um dos maiores segredos do cristianismo.

Jesus faz uma pergunta, mas a direciona à dois tipos diferentes de pessoas.

A pergunta era: “Quem sou eu?”

  • Para os homens:

As respostas foram variadas, vejamos:

a) João Batista: Não podia ser João Batista, pois ambos foram vistos juntos no Jordão, não possuíam a mesma personalidade, o Batista tinha a personalidade de julgamento e veio no espírito de Elias, já o Mestre tinha uma personalidade humilde e serviço, João não realizou sinais e prodígios, já o Cristo, operou grandes milagres, até a forma de se vestirem eram diferentes, não poderiam ser a mesma pessoa, jamais;

b) Elias: Não poderia ser Elias, afinal de contas, os judeus acreditavam que Elias fosse apenas o precursor do Messias. Além de tudo isso, os discípulos saberiam que não era Elias, pois na transfiguração, apareceria Elias e Moisés no monte;

c) um dos profetas: Talvez pensassem que fosse Jeremias (Mt 16.14). Jeremias era chorão, Jesus um homem de sofrimento. Ambos chamaram o povo ao arrependimento. Ambos foram rejeitados pelo próprio povo, condenaram os falsos líderes e a falsa adoração, e por fim foram perseguido pelas autoridades. Mas Jesus não era Jeremias,o profeta estava morto.

Os homens destilam várias respostas incoerentes, porque quem não possuem intimidade com Jesus, e nunca saberiam quem Ele realmente era.

  • Para os discípulos:

a) Pedro se levanta e responde: “Tu és o Cristo”.

Chegou o momento crucial de Jesus, precisava saber se todos estes anos ensinando, instruindo, exortando, operando maravilhas, havia surtido efeito e seu trabalho não tinha sido em vão. Aquilo que Ele ensinou, precisava estar gravado no coração de algum homem para dar continuidade aos ensinos.

Jesus ainda afirma a Pedro que não foi seu conhecimento humano que havia revelado isso, mas o próprio Pai que está nos céus. Isso é apenas um sinal a mais que para reconhecer o Cristo, é necessário ser espiritual.

Jesus então diz aos discípulos que não contem isso à ninguém, porque?

Porque Jesus precisava agora explicar o que realmente seria o Messias tão esperado.

1) Ideias judaicas sobre o Messias: alguém que viria para destruir os inimigos, aniquilando-os por completo. E assim assumir o trono do reino. Acreditavam que o trono seria tomado através de um banho de sangue e uma carreira de conquistas. Em um quadro como este, não há lugar para uma cruz, e muito menos para o sofrimento.

Mas é justamento sobre isso que Jesus quer reeducar os discípulos do seu judaísmo. Tirar dos corações deles a filosofia do diabo que afirma que existe “glória sem sofrimento”, e colocar no coração deles a filosofia divina que diz que Deus transforma o “sofrimento em glória”.

Então Jesus começa a ensinar que padeceria, sofreria e morreria. Os discípulos talvez não estavam entendendo o porque o Messias estava dizendo isso, como alguém sendo o Messias poderia reinar, se morrer. Reinar se sofrer. Reinar se aceitar a cruz?

Então, Pedro começa a tentar dissuadir Jesus para que não sofra, não morra, mas que use seu poder para conseguir o que quer, então Jesus se lembrou perfeitamente da tentação do deserto, onde o diabo propôs à Jesus o reino e a glória, sem a necessidade da cruz, se Ele simplesmente se prostrasse e o adorasse. Por isso disse: “retira-te de mim satanás, porque não compreendem as coisas que são de Deus, mas as que são dos homens”. Jesus estava dizendo: “não quero apenas o reino, preciso de um povo para reinar, e sei que para isso preciso comprar este povo novamente, e só consigo passando pela cruz, negando-me e morrendo”

Com isso Jesus ensina aos discípulos que o verdadeiro discípulo precisa de 3 iniciativas baseadas na filosofia divina de que o sofrimento pode ser transformado em glória

1) Querer segui-lo;

Pra ser discípulo é preciso que seja com voluntariedade. Não seguir à Cristo pelas bênçãos e milagres, mas Ele mesmo disse, pisar por onde Ele pisou, andar por onde Ele andou, passar pelo que Ele passou;

2) Negar-se a si mesmo;

É dizer não a mim, e sim à Cristo. É entregar-se por completo à ele, sem reservas. É dizer não a antiga vida, aos amigos inoportunos, às práticas pecaminosas, é o mesmo que dizer: nascer de Novo.

3) Tomar a sua cruz;

Para os judeus prosélitos, afim de serem aceitos dentro da sociedade judaica, precisavam aceitar o jugo da lei, é mais ou menos isso que Cristo está dizendo aqui, para aceitar, não o jogo da lei, mas o jugo que ele oferece: suave. É aceitar viver como Ele viveu, lembrando sempre que Ele nos dá vitória. E é através da Cruz que alcançaremos a nossa glória.

Trocaremos um dia, a nossa cruz por uma coroa!