INTRODUÇÃO

Neste trimestre, nas Lições Bíblicas, será tratado sobre um assunto muito empolgante, e o tema da revista é: “Vencendo as aflições desta vida. Muitas são as aflições do justo, mas o Senhor o livra de todas“.

A palavra aflição vem do grego thlipsis e significa: ato de prensar, imprensar, pressão; e metaforicamente pode trazer o significado de opressão, tribulação, angústia, dilema.

De posse deste conceito, talvez o questionamento que nos salte a mente é: “Porque os justos sofrem? Se aceitamos a Cristo, porque continuamos com nossas aflições?”

1) Em primeiro lugar, porque a Bíblia está cheia de referências à justos sofrendo aflições, isso desde os mais remotos tempos. Por exemplo, o salmista, no salmo 34.19 diz: “Muitas são as aflições do justo, mas o Senhor o livra de todas”. O que o salmista está dizendo aqui é que o justo sofre aflições, e não são poucas, ou seja, em todas as áreas da sua vida ele sofre: em sua vida conjugal, material, profissional, sentimental, emocional, psicológica, em todas elas a aflição está ali presente. Mas o salmista continua dizendo que de TODAS elas o Senhor livrará o justo.

Este salmo está associado a um episódio perigoso envolvendo Davi e os filisteus em Gate (1 Sm 21.10 – 22.1), e Davi em nenhum momento dá a entender que a vida de fé e obediência poupará os filhos de Deus de enfrentar problemas, mas garante que se confiarmos no Senhor, Ele pode atravessar os problemas conosco e transformá-los em bênção para nós, além de nos ajudar, também, com nossos sentimentos.

2) Em segundo lugar, porque o próprio Cristo assim o disse: “…no mundo tereis aflições“, portanto, vivamos com elas de forma a aprender com as mesmas. Meyer disse certa vez: “Às vezes passamos por tribulações, mas Deus nos livra em meio a elas. Talvez não reconheçamos a presença do Grande Jardineiro, mas Ele passa junto às plantas que suportaram a força do vento e da tempestade, para curvar-se sobre nós que nos achamos abatidos até o chão.” Vamos à lição.

AS AFLIÇÕES DO TEMPO PRESENTE
De ordem natural

Quando olhamos para a natureza podemos perceber o quanto ela está completamente desordenada. Haja vista quando estamos perto de pessoas com uma idade um pouco mais avançada e presenciamos comentários como: “O frio de hoje não é igual ao de antigamente” ou “O calor nunca foi tão insuportável como atualmente é”. Isso mostra a depreciação natural em que estamos vivendo, e o problema é que tudo isso tem causado mortes em todo o mundo.

Tudo culpa do próprio homem, que, por sua avareza e irresponsabilidade, explora as riquezas naturais de forma predadora, causando sérios problemas onde já mencionamos o pior de todos: a morte. Veja o quadro abaixo para que tenha uma noção de quantas pessoas já morreram no mundo em virtude de catástrofes naturais (desde 2000).

TERREMOTOS

CALOR

ENCHENTES

TSUNAMIS

FURACÃO

175.331

51.800

5.867

158.540

80.000

Fonte: Veja Online

Em Rm 8.22, a Bíblia diz que “…que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora“. Toda a criação é o pano de fundo ou palco para a relação de amor de Deus com a humanidade, porém, toda esta criação foi envolvida na queda (Gn 3.17; 6.1). Esta humanidade caída raptou o ambiente natural e o relegou a um descontrole egoísta. Não apenas estamos colhendo os resultados da poluição e exploração errada do nosso planeta, mas nossa posteridade sofrerá conseqüências muito mais severas e irreversíveis.

O versículo mencionado pode ser melhor traduzido nas palavras de Schelling, citado por Godet: “A natureza, com seu charme melancólico, lembra uma a noiva que, no momento em que estava totalmente vestida para o casamento, viu o noivo morrer. Ela ainda permanece com sua coroa e seu vestido de noiva, mas seus olhos estão cheios de lágrimas“.

De ordem econômica

Talvez uma das piores pressões que podemos receber esteja na área financeira. O poder aquisitivo controle nossas ações, e portanto, a falência financeira desorganiza nossos pensamentos e vida.

O mundo vive hoje uma grande crise internacional, também chamada de Grande Recessão. Esta crise teve início em 2008 e foi ocasionada pela quebra de instituições financeiras, seguradoras e principalmente pela desestruturação do sistema imobiliário.

Isso gera uma aflição imensurável nas pessoas, tanto justos quanto injustos. Dinheiro é o selo de poder que as pessoas sempre desejaram, e portanto a falta dele gera angústias. O comentariasta da lição chegou a dizer que muitos podem dar cabo da própria vida porque, da noite para o dia, podem descobrir que perderam todos os bens.

De uma coisa eu tenho certeza, a aflição financeira pode realmente recair sobre justos e injustos, mas o livramento se dá somente para àqueles que estão servindo ao Senhor.

Você como crente, o que faria se descobrisse que será demitido na próxima semana? No que é que você pensa de imediato? No dinheiro, no recurso financeiro para amparar sua família. O flagelo da pobreza está sobre a vida de justos e injustos, mas isso não tira o mérito do justo de ter o socorro do Divino como providência para as suas vidas e de suas famílias.

Lembre-se de que o pouco com fé é fortuna. Veja o caso da viúva que depositou na arca do tesouro as “duas pequenas moedas” que tinha, que “valiam meio centavo“. Naquele momento, Jesus observava como todos lançavam suas ofertas na arca do tesouro. A moeda aqui mencionada, é a denominada de prutah, uma moeda que não valia mais que meio centavo, ou ainda o valor de uma moeda de prata divida 24 vezes.

Havia uma regra no judaísmo de que ninguém poderia lançar na arca menos que duas “prutahs“, e por isso a viúva lançou duas, as únicas duas que ela possuia. Eu prefiro acreditar que não lançou mais pelo simples fato de não possuir mais. Quando o evangelista menciona que “muitos ricos deitavam muito“, Ele não menciona em valores, mas uma quantidade maior que duas moedas de bronze dentro da arca, que não significa monetariamente quase nada. Estavam apenas cumprindo um protocolo. Mas quando o Senhor viu aquela mulher, viúva, lançando duas prutahs, Ele se alegrou, porque havia encontrado alguém que mesmo sofrendo as aflições na área econômica, não deixou de ser rica diante de Deus.

A fé completa dessa mulher é contrastada com o orgulho e vaidade dos escribas religiosos. Eles espoliavam os recursos das viúvas. Essas viúvas davam todos seus recursos para Deus e portanto dependiam Dele pela fé para proverem suas necessidades. Ao dar, Deus olha para o coração, não para o montante (2 Cor. 8-9). Mas também veja que, o montante era tudo que ela tinha. O dar, como as obras e palavras, revelam o que está no coração!” (Utley, Bob)

De ordem física

Segundo o comentarista da lição, algumas doenças, que de acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde) são consideradas as doenças do século XXI. Doenças de ordem física, mental e comportamental. É claro que a OMS não irá catalogar doenças de ordem espiritual, mas elas também fazem parte das doenças do século XXI.

Mas crente sofre de câncer? Sim, sofre, e às vezes vai a óbito em consequência da doença. Mas crente pode sofrer de depressão? Sim, pode, não se lembra de Davi, o homem segundo o coração de Deus? É só “escutar” o Salmo 13 e compreenda como estava o coração de Davi.

A questão não é se podemos sofrer as mesmas aflições físicas dos injustos, mas como nós lidamos com estas aflições.

No caso de uma doença grave, sabemos que Jesus pode curar e mesmo que Ele não cure, sabemos que o “morrer é ganho“. Se sofremos com a depressão, podemos até tomar centenas de remédios, mas a cura está na confiança no amor incondicional de Jesus. Só os justos possuem este amparo.

Mas de onde vem tudo isso que recai sobre justos e injustos? Tudo isso vem como consequência da queda, e o “salário do pecado é a morte” (Rm 6.23). Costumamos aplicar Rm 6:23 aos não salvos e, sem dúvida, é o caso, mas também se trata de uma advertência aos que têm a salvação, mesmo porque estas palavras foram escritas para cristãos (veja 1Co 11.40).

Wiersbe diz: “Se servimos a um senhor, podemos esperar receber um salário. O pecado paga um salário: a morte! Deus também paga um salário: a santidade e a vida eterna.

Sofremos hoje as aflições de ordem física, assim como qualquer outro ser humano, mas temos a garantia de uma promessa do Senhor de uma transformação em nosso corpo corruptível para um corpo glorioso, onde nunca mais sofreremos desta aflição. Hoje eu choro de dor, mas um dia me alegrarei por toda a eternidade, hoje pranteio por causa da morte, mas um dia regozijarei com a vida eterna.

Nas palavras de Barcley, assim diz Paulo: “O pecado merece a morte. Se recebermos o pagamento que merecemos seria a morte. A morte é a dívida a que temos direito. Mas o que recebemos é uma dádiva; não ganhamos; não o merecíamos; merecíamos a morte; mas em sua graça ele nos deu a vida.

Paulo em Rm 6.23 usa dois termos militares. Para salário utiliza o termo opsonia que era o pagamento de um soldado, algo que ele ganhava com o seu arriscado trabalho e com o suor de seu rosto, algo que lhe era devido e não se podia tirar dele. Para dom usa o termo carisma. Era a retribuição totalmente livre e imerecida que algumas vezes o exército recebia. Em ocasiões especiais, por exemplo em seu aniversário, ou em sua ascensão ao trono, ou no aniversário desta ascensão, um imperador entregava uma dádiva de dinheiro ao exército. Esta não tinha sido ganha; era um presente; um dom da benevolência e graça do imperador.

PORQUE O CRENTE SOFRE
A queda

Existe uma razão, segundo o comentarista da revista, para o sofrimento humano: a queda. De acordo com a Bíblia, o mundo foi feito perfeito (Gn 1.31), mas Adão, o primeiro homem, transgrediu a ordem divina, e trouxe a aflição para toda a humanidade.

Os seres humanos por ocasião da queda adquiriram então, a faculdade da prática do mal, como um subproduto do discernimento entre o bem e o mal. As Escrituras ensinam que o pecado de Adão afetou muito mais que a ele próprio (Rm 5.12-21).

A Bíblia registra, na realiade, duas quedas. Vejamos:

  1. Queda no céu: antes do mau acontecer na terra, aconteceu no céu, no seio de um arcanjo que vivia na presença de Deus. O nome tradicional dado a este arcanjo é tirado de Isaías 14.12-14, como a expressão “estrela da manhã”, feita na Vulgata Latina. Esta criatura extraordinária, “estrela da manhã”, “a serpente”, já estava confirmada na iniqüidade antes de “o pecado entrar no mundo” através de Adão (Rm 5.12; ver Gn 3). Essa antiga serpente aparece em outros lugares como o grande dragão, Satanás e o diabo (Ap 12.9; 20.2);
  2. Queda na terra: as Escrituras também nos ensinam a respeito de outra queda. Adão e Eva foram criados “bons” e colocados num jardim idílico, no Éden, desfrutando de estreita comunhão com Deus (Gn 1.26 – 2.25). Por não serem divinos e porque eram capazes de pecar, era necessária uma contínua dependência de Deus. Semelhantemente, precisavam comer regularmente da árvore da vida. Isto nos é sugerido pelo convite a comer de todas as árvores, inclusive da árvore da vida, antes da Queda (2.16), e pela rigorosa proibição depois desta (3.22,23)

Destas quedas, de Satanás e de Adão, surge todo o mal. Então novamente vem a questão: Como pode existir o mal, se Deus é onipotente e totalmente bom?

Esta pergunta é o fantasma que assombra todas as tentativas de se compreender o pecado. Façamos uma distinção entre algumas formas de mal. O mal moral – ou pecado – é a iniquidade cometida por criaturas dotadas de vontade. O mal natural é a desordem e decadência do Universo (calamidades naturais, algumas doenças, etc). Está ligado à maldição que Deus pronunciou contra a terra (Gn 3.17,18). O mal metafísico é aquele involuntário, resultante da finitude das criaturas (insuficiência mental e física etc.).

Neste sentido podemos dizer que o mal natural provém do mal moral. Todas as doenças provêm, em última análise, do mal, porém não necessariamente do pecado daquele que está enfermo (Jo 9.1-3), embora este possa ser o caso (SI 107.17; Is 3.17; At 12.23).

Portanto, Deus não criou o mal, porém realmente criou tudo que existe. Assim, o mal não pode ter uma existência independente. O mal é a ausência ou a perversão do bem. Este fato pode ser ilustrado pelo sal de cozinha, que é um composto (ou mistura compacta) de duas matérias químicas: o sódio e o cloreto. Estes dois elementos, em separado, são altamente mortíferos. O sódio irrompe em chamas ao entrar em contato com a água, e o cloro é um veneno fatal. Assim como a alteração na composição do sal, a criação perfeita de Deus é mortífera quando o pecado lhe estraga o equilíbrio.

Deus pode não promover o pecado (Hc 1.13; Tg 1.13), porém, pode permití-lo. Fazendo isso Ele cumpre um dos seus mais elevados propósitos. Por exemplo na vida de José (Gn 12.3, 50.20). Quando fazemos as escolhas erradas e falhamos, enfrentamos as conseqüências dos nossos erros; Deus utiliza as nossas falhas para nos fortalecer e nos levar da imaturidade e da deficiência até a nossa maturidade espiritual. O autor de Hebreus utiliza estas palavras: “E, na verdade, toda correção, ao presente, não parece ser de gozo, senão de tristeza, mas, depois, produz um fruto pacífico de justiça nos exercitados por ela” (Hb 12.11).

Veja um vídeo interessante sobre o assunto do mal:

Por conta da queda de Adão, portanto, o sofrimento é real tanto para crentes como para não crentes. A criação, confiada aos cuidados de Adão, foi amaldiçoada, gemendo pela libertação dos resultados da infidelidade dele (Rm 8.20,22). Se Adão e Eva tivessem obedecido, teriam sido frutíferos e alegres para sempre (1.28-30).

Finalmente, o primeiro casal humano trouxe, por conta da queda, a morte a todos os seus filhos (Rm 5.12-21; 1 Co 15.20-28), e por isso sofremos.

A degeneração humana

Quando estudamos acima sobre a queda, como consequência do pecado, então ela gerou o mal, e com isso o homem sofreu um processo de degeneração nas esferas moral, social e espiritual. E esse foi o motivo pelo qual Deus destruiu o mundo através do dilúvio (Gn 6.1 – 7.24). Foi como se Deus, em nossos dias olhasse para a humanidade como um computador completo, e então ele decidiu através do dilúvio, formatar por completo a máquina, deixando apenas alguns arquivos (Noé e sua família).

Quando observamos no capítulo 5 de Gênesis, uma genealogia, talvez ficamos sem entender o porque, mas Myer Pearlman diz que o propósito principal desta genealogia é o de “conservar um registro da linhagem da qual virá a semente prometida: (Cristo)”. Traça a linha de Sete até Noé, ou seja, demonstra uma distância cada vez maior entre os descendentes de Sete e de Caim.

Paul Hoff diz que com o transcorrer do tempo, a separação entre os descendentes de Sete e os de Caim cessou por causa do casamento das duas linhagens (Gn 6.2). A união dos piedosos com mulheres incrédulas foi motivada pela atração física de tais mulheres.”Sem mães piedosas, a descendência de Sete degenerou-se espiritualmente”.

Então Deus limpa a terra com o dilúvio, preservando apenas um descendente de Sete: Noé. E dos descendentes de Noé, o mundo foi populado novamente. Noé teve três filhos: Sem, Cão e Jafé.

Segue quadro dos descendentes de Noé:

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Nossa situação atual, parece-se igual ao da sociedade na época de Noé. Ele estava com sua família na Arca, sofrendo, por que ninguém acreditava nele, em sua pregação. Infelizmente, hoje, a humanidade acha-se em franca rebelião contra Deus (Rm 3.23). Os filhos espirituais de Caim estão mantendo relacionamentos com os filhos espirituais de Sete. E para nós que estamos dentro da Arca, nos causa sofrimento. Mas virá o dia, não do dilúvio, mas da redenção (Lc 21.28; 1Ts 1.10), onde o Cristo, nossa Arca, nos arrebatará de todo este sofrimento.

O novo nascimento e o sofrimento

Novo nascimento, segundo Claudionor C. de Andrade, “é a conversão, regeneração. Um milagre operado no espírito do ser humano, através do qual este é recriado de conformidade com a imagem divina[…] É a impregnação da divina natureza à alma humana, unindo-a ao Senhor Jesus num só corpo”.

O novo nascimento ou regeneração é mais proeminente no NT que no AT. No AT a idéia de regeneração está ligado ao conceito de renovação nacional, veja um exemplo na passagem sobre o vale dos ossos secos (Ez 37.1-14). Já no NT este conceito está relacionado ao homem individual, dentro do contexto do pecado (Jo 3.6), e é na esfera espiritual.

A iniciativa da regeneração é atribuída à Deus (Jo 1.13); vem do alto (Jo 3.3,7); e é operada pelo Espírito Santo (Jo 3.5,8).

Sendo assim, o crente regenerado, agora possui uma natureza contrária à da queda (1 Jo 5.1,19). Mas se agora que somos regenerados, porque ainda sofremos?

O comentarista da revista cita Agostinho de Hipona: “A permanência da concupiscência em nós é uma maneira de provarmos a Deus o nosso amor a Ele, lutando contra o pecado por amor ao Senhor; é, sobretudo, no rompimento radical com o pecado que damos a Deus prova real do nosso amor”.

Sofremos porque ainda habitamos neste tabernáculo que ainda não foi transformado (1 Co 15.35-58). Esta passagem fala de como os mortos serão ressuscitados e porque são ressuscitados.

Paulo, em Romanos 7, fala do seu sofrimento em desejar sempre fazer o bem, mas devido à estar neste corpo nem sempre as coisas saem como ele deseja.

Paulo ensina algo fantástico segundo Wiersbe, ele ensina que ressurreição não é o mesmo que reconstrução. Em nenhum lugar da Bíblia, é mencionado que na ressurreição Deus juntará os pedaços e nos formará novamente no corpo antigo. O corpo continua sendo nosso, mas sua essência não será mais a mesma, será um corpo glorificado, incorruptível, espiritual.

Nós sofremos sim, temos aflições sim, mesmo porque ainda habitamos no que é corruptível, e como se disse alguém: “Santo não é aquele que nunca cai, mais é aquele que, mesmo caindo, levanta-se e continua andando.“. Nós podemos errar enquanto estamos aqui, mas chegará o dia em que tudo será transformado. Glórias a Deus.

O CRESCIMENTO E A PAZ NAS AFLIÇÕES
A soberania divina na vida do crente

“Um soberano é alguém que goza de plena autonomia, não permitindo qualquer imunidade rival” (Merril Tenney). Este termo, quando aplicado à Deus, indica seu poder completo sobre toda a criação, exercendo sua vontade absolutamente. Ele, sendo soberano, tem o controle em suas mãos. Ele vê tudo e sabe tudo. Ele vê o vale por onde passamos, por vezes Ele não nos tira de lá, mas passa conosco por ele. “Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo[…]” (Sl 23:4).

Diante desta linda promessa, nós podemos sofrer as aflições “sorrindo” e dizer como o salmista: “Eu me alegrarei e regozijarei na tua benignidade, pois consideraste a minha aflição; conheceste a minha alma nas angústias” (Sl 31.7).

Este salmo é interessante, pois ele enfatiza a confiança no Senhor, por mais difíceis que sejam as circunstâncias. Davi estava cercado de tramas e de conspirações perversas e tudo parecia estar contra ele. Até seus mais próximos não queriam ser vistos com ele e havia terror por todos os lados (Sl 31.13). Mas mesmo assim Davi disse que se alegraria na bondade divina, sabe porque? Porque Davi tinha a convicção de que o Senhor conhecia a sua aflição.

Tudo coopera para o bem

Como Deus é soberano, e conhece todas as coisas, nós podemos ter a certeza de que “todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados por seu decreto” (Rm 8.28). Quero analisar melhor este versículo. Vejamos:

Alexandre Coelho, comentando sobre o versículo disse: “O que acontece pode não ser intrinsecamente ‘bom’, mas Deus fará com que todas as coisas contribuam juntamente para o bem daqueles que o amam, para que alcancem o supremo propósito da maturidade. O caso é que Deus opera todas as coisas para o bem, ‘mas nem todas as coisas dão certo’. O sofrimento ainda trará dor, perdas e tristezas, e o pecado irá trazer a vergonha. Mas sob o controle de Deus, o eventual resultado será para o nosso bem.”

Macarthur comenta dizendo que “Deus, em sua providência, orquestra cada acontecimento da vida, mesmo o sofrimento, a tentação e o pecado, para trazer tanto benefícios passageiros como eternos (Dt 8.15-16).”

Lawrence Richards também comenta que “o texto não afirma que tudo o que acontece para nós é bom, no sentido prazeroso. Deus nem mesmo prometeu prazer. Sua promessa é de que todas as coisas contribuirão para o nosso bem, no sentido de proveito próprio. Até mesmo esse benefício está traçado. Deus se valerá de nossa própria experiência para nos fazer mais semelhantes ao Nosso Senhor.”

Quantas vezes olhamos atrás e conseguimos ver uma mão condutora e diretora em tudo e através de tudo? Vemos que aquilo que pensávamos ser desastre resultando em bem? O que pensávamos serem desenganos, e se transformaram em bênçãos?

Os estóicos criam que nada podia ocorrer a um homem que não proviesse de Deus para esse homem. Assim, eles ensinavam que o dever de todo homem era a aceitação. Se aceitassem as coisas que Deus lhe enviara, conhecia a paz, se lutasse  contra elas, batia a cabeça contra o iniludível propósito de Deus. Era justamente isso que Paulo tinha em mente ao escrever este versículo. Um homem pode ir a um médico ou a um cirurgião, e o médico ou o cirurgião podem prescrever uma forma de tratamento que no momento é desagradável ou até penoso; mas o homem confia na sabedoria do perito e aceita as coisas que lhe impõem. Assim é conosco quando confiamos em Deus.

Desfrutando a paz do Senhor

“E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus.” (Fp 4.7). Aqui o apóstolo Paulo não está falando sobre a paz como ausência de guerra. Essa paz foi descrita por Hendriksen como “O sorriso de Deus refletida na alma do crente, a calma do coração depois da tempestade do Calvário, convicção de que Deus, que não poupou seu próprio Filho, certamente também, junto com ele, nos dará graciosamente todas as coisas (Romanos 8:32).”

Moody diz que essa paz “é a tranqüilidade de espírito que Deus aprova e que só Ele pode conceder.”

Significa que a paz de Deus é tão preciosa que o entendimento humano com toda sua habilidade, conhecimento e penetração jamais pode inventá-la, encontrá-la ou produzi-la. Está absoluta e inteiramente mais além de toda capacidade do homem de obtê-la por si mesmo. Esta paz nunca pode ser um produto humano, é só um dom de Deus. Ela ultrapassa todo o poder de compreensão e supera toda a razão humana.

Em meio a tantas aflições, confiando no Senhor, podemos desfrutar da paz que só o Senhor dá.

CONCLUSÃO

O sofrimento é uma realidade, mas lembremo-nos de que eles costumam ser temporários, e que Deus tem sempre, para os seus amados, o melhor. Ele não nos deixa sozinhos: “Eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém.” (Mt 28.20). Portanto, podemos ter certeza de que passaremos por momentos de aflição, mas com a presença de Deus, teremos as forças necessárias para tais provações.