Deus é chamado de diversas formas na Bíblia, pois seus nomes refletem suas qualidades e atividades, algo que os hebreus davam e ainda dão muita importância até os dias de hoje. Portanto, os vários nomes de Deus, sejam eles simples ou compostos, utilizados tanto no AT quanto no NT não são apenas construções ou designações humanas, são instrumentos da auto-revelação de Deus, quando Ele revela alguma faceta do seu caráter, natureza, vontade ou autoridade.

O termo El é uma das mais antigas designações para deidades no mundo antigo (seja para qualquer deus). O termo parece sugerir poder e autoridade, dando a entender “capacidade de controlar”. Quando este termo é aplicado ao Deus hebreu, é geral e inclusivo, e inclui o significado primário de poder ou capacidade (Gn 17.1, Js 3.10, 2Sm 22.31-32).

Como o termo El é um termo genérico para divindades dos povos antigos, para o povo hebreu, o Deus Eterno, tinha como um dos nomes específicos o termo YHWH, conhecido como tetragrama. Assim o nome YHWH estava completamente ligado à consciência de Israel.

Este nome de Deus, é o terceiro à aparecer na Bíblia, seguindo o primeiro Elohin (Gn 1.1) e o segundo Adonai (Gn 15.2).

O termo é pré-mosaico, mas até este ponto o significado ainda fica incerto, isso até o momento em que Deus chama Moisés (Ex 3.13-15), daí pode-se exaurir o significado do termo, quando Ele mesmo responde à pergunta de Moisés dizendo: “EU SOU O QUE SOU”.

Se desdobrarmos ainda mais esse nome, verificaremos que se a segunda porção do nome, no HWH, está vinculada ao verbo “ser”, a primeira parte do mesmo Y, tem um significado ejaculatório, exclamativo. De fato, nas línguas semíticas, esse Y é uma exclamação comum. Portanto, a opinião deste tradutor e co-autor é que esse nome sagrado tem um significado parecido com algo que poderíamos agora explicar como: “Ah! Ele existe!

Como os nomes são algo muito importante e sério para os judeus, vê-se que para o próprio Deus esta importância também é verdadeira. No decálogo, os dez mandamentos, o terceiro destes, Deus diz assim: “Não tomarás o nome do Senhor, teu Deus, em vão” (Ex 20.7).

Diante deste mandamento, fica sabido e temido no coração dos Israelitas que pronunciar o nome do Senhor levianamente, era ferir “mortalmente” um dos dez mandamentos de Deus, e por este motivo, no decorrer dos séculos, os escribas desenvolveram um técnica para se evitar pronunciar o termo seja por qual motivo for.

A primeira técnica utilizada, era escrever a palavra Adonai nas margens do rolo todas as vezes o o tetragrama aparecia no texto inspirado e original, fazendo com que o nome a ser lido seria Adonai ao invés de YHWH, pois pensavam que se ninguém pronunciasse o nome YHWH, não correriam o risco de infringir o mandamento. Porém esta técnica não era totalmente eficiente, pois alguns ao lerem as Escrituras na sinagoga, sem querer, pronunciavam o nome YHWH, mas o temor de alterar as Escrituras trocando o nome YHWH por outro, não permitia que este problema fosse sanado.

Ao perceberem que esta técnica realmente não era eficiente, concordaram em utilizar uma outra técnica, que seria incluir vogais ao termo original (que só possuía consoantes em virtude do alfabeto hebraico) todas as vezes que o mesmo aparecia. Chegaram ao consenso de mesclar duas palavras que se referiam à Deus: YHWH e Adonai. Então todas as vezes que o tetragrama aparecia no original, os escribas passaram a incluir as vogais de Adonai ao tetragrama deixando o termo assim: YaHoWaH.

Este novo termo, criado artificialmente pois não faz parte dos Escritos originais, tornou-se transliterado como Jehová e aportuguesado Jeová. Isso na verdade não se trata de um nome de Deus, mas de uma corruptela do nome a fim de que pudesse ser proferido sem nenhum temor. Esta forma só começou a aparecer no século XII d.C.

Sendo assim, fica evidente que o termo Jeová não faz parte dos Escritos Sagrados originais, mas foi a forma encontrada pelos judeus de evitarem pronunciar o nome de Deus em vão.

Observação: O termo Jeová quando aparece no NT não procede dos originais, pois no grego nunca utilizou-se o termo YHWH. O NT sempre se utiliza dos termos gregos: Theos ou Kurios.