Quando o assunto é perdoar, abala os nossos sentimentos e alfineta o nosso ego. Vamos entender que o perdão não é opção de vida, é um mandamento divino.

Não te vingarás nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; Levítico 19.18a

Ao lermos as Escrituras, vemos que perdoar aos outros é um mandamento, e não uma opção. Não existem exceções. O versículo citado significa que um erro foi realmente cometido, e que pode levar a atitudes de ressentimentos. Interessante, que a atitude do transgressor não é mencionada. Da mesma forma, o versículo 17 (o versículo anterior ao que foi citado) enfatiza a necessidade de repreensão ao agressor ao invés de odiá-lo, embora não mencione a resposta do agressor, ou seja, qualquer que seja a resposta, o mandamento é para perdoar e suportar.

Como, então, devemos agir em relação a transgressores não arrependidos depois de perdoá-los? O grande apóstolo Paulo nos diz em 2 Tessalonicenses 3.14-15 a possibilidade de perdoar alguém, e escolher não gastar tempo com ele, não se misturar com ele. Em outras palavras, existe um mundo de diferença entre a falta de perdão, o que é pecado e amor resistente que é por vezes uma necessidade.

Sentir rancor leva à um terrível desgaste físico, emocional e espiritual. O homem não foi feito para carregar amarguras. As palavras de Jesus sobre esses “tormentos” em Mateus 18.34-35 ecoam pelos rabinos, que afirmam no Talmud, “Aquele que se recusa a perdoar… se torna culpado, e a ira de Deus se aparta do transgressor e se dirige em direção ao que não perdoa“. Certamente, muitos não possuem paz e plenitude hoje devido a não obedecerem o mandamento fundamental da Torá: “Não te vingarás nem guardarás ira contra os filhos do teu povo.”