Vamos estudar Efésios 1.7, onde o texto traz uma riqueza de significados para nós. Vamos entender o que Paulo está dizendo neste texto e o que ele tinha em mente.

Entendendo o início da carta

A carta aos Efésios é considerada a rainha das epístolas. Ela não trata de nenhum problema doutrinário e não possui conteúdo exortativo, mas ainda sim é uma das mais teológicas e práticas do NT. Paulo, ao escrever aos Efésios, o faz de dentro de uma prisão, em Roma, guardado pela guarda pretoriana em uma casa, uma guarda especial do império, com cerca de 16.000 homens, e mesmo assim Paulo não se considera um prisioneiro de César, mas sim de Cristo. Somos verdadeiros escravos de orelhas furadas, escravos que mesmo sendo livres, optam por continuar a servir ao seu senhor. Quando liberto, depois do tempo limite de escravidão, ele está tão apegado ao seu senhor, que decide serví-lo para sempre, para isso ele é levado então ao juiz, que fura-lhe a orelha com uma sovela, deixando-lhe uma marca que significa: sirvo, mas não por obrigação, e sim por amor.

Éfeso era a grande capital da deusa Artemis, tão conhecida e venerada nos tempos do NT. Ao escrever esta carta, Paulo está confrontando aos cidadãos efésios à refletirem sobre a religião que impera na cidade. Muitos negócios eram concretizados por causa da exploração religiosa sobre Artemis. muitos turistas visitavam Éfeso somente para conhecer o grande templo da deusa. Paulo, nesta epístola, os confronta, mostrando uma grande realidade até então não percebida. Que agora eles não precisam mais se orgulhar do grande e suntuoso templo, pois eles mesmos são o templo de Cristo e que o valor agora não é mais o dinheiro da exploração religiosa, e sim o amor e a pureza dos eleitos de Deus.

Estudar a epístola aos Efésios é pisar em solo sagrado, portanto tire as sandálias e vamos nessa!

Dois Bodes

Dois Bodes – redenção

Paulo inicia a carta de uma forma bem simples e singela: “Apóstolo pela vontade de Deus”. Não foi pela vontade humana, ou porque possui um anel de doutor, ou porque possui dízimo alto, ele estava lá pela vontade de soberano Deus. Hoje temos de tudo no cenário religioso, profeta, missionário, apóstolo, etc. Profeta, ainda vai lá, é bíblico, missionário, aceitamos, pois ainda existem muitos sinceros, mas tem uns se auto-intitulando apóstolos. Apóstolo é vem do termo hebraico shaliah, que tem o poder se tornar o enviado em procurador, ou seja, aquele a quem representa deu-lhe o poder de tomar as decisões por si próprio Não existem apóstolos hoje, não no conceito bíblico.

O primeiro capítulo, pelo menos na sua primeira parte, Paulo fala das riquezas que temos em Cristo, e nos dá uma visão tridimensional disso: passado, presente, futuro; Pai, Filho, Espírito Santo. Ao iniciar, no verso 1.3 sobre o Pai, ele fala sobre o passado, céu, e quando entra no versículo 7, sai do passado e entra no presente, terra, quando fala do Filho. Interessante que o termo “em Cristo”, aparece 7 vezes aqui, simbolizando que em Cristo nossa redenção foi perfeita.

Aqui entramos no versículo em estudo.

Entendendo o versículo em questão

Redenção significa libertar de uma situação de escravidão sob um poder dominador por meio de um resgate (pago ou substitutivo) para usufruto próprio. É um conceito bem antigo, no livro mais antigo da Bíblia, ele já estava lá. Quando Jó responde a Bildade sobre as tribulações da vida, ele dizia que não precisava morrer para passar por provações, já estava passando em vida. Abandonado pelos amigos, ignorado pelos servos, rejeitado pelos pequenos, escrachado pela esposa, quebrado por todos os lados, doente, sem pele, ainda assim podia erguer a voz e dizer: Eu sei que o meu redentor vive. Veja que o conceito de redenção já existe desde tempos remotos.

No AT o conceito era de tirar as pessoas da escravidão (Ex 21.8; Lv 25.47-49), enquanto que no NT, toda a ideia se baseia na analogia da própria libertação de Israel da escravidão do Egito. A Bíblia diz em Ex 3.8, que Deus desceu para livrar Israel de Faraó, Deus conduziu o povo através da nuvem e coluna de fogo, os alimentou com maná e codornizes, e os saciou com água tirada da rocha. O NT se baseia nesta ideia para ilustrar a redenção de cada um de nós, mas com uma diferença. Deus não apenas desceu, Ele encarnou, se fez como um de nós, Ele não enviou uma nuvem para refrescar, mas colocou em nós a brisa do Espírito Santo, não fez uma coluna de fogo, mas acendeu brasas vivas em nossas almas, não mandou maná, mas se tornou o pão vivo que desceu do céu, não tirou água da rocha, mas se tornou a água da vida e não mandou carne, mas entregou a sua própria para remissão de nossos pecados. Porque Ele veio buscar e salvar o que se havia perdido (Lc 19.10).

Mas porque precisamos de redenção? Quando Deus fez o homem, o fez para dominar (Gn 1-2), mas a queda o destituiu da posição de dominador para dominado. Dominado pelo pecado, pelo erro, pela mentira, por satanás. Então Deus arquitetou um plano, e Cristo executou.

Neste plano, havia um preço a ser pago. E este preço foi pago integralmente (Cl 2.14). Jesus o pagou, não porque foi obrigado, mas por amor. Aceitou a rejeição por amor, aceitou a traição por amor, aceitou os açoites por amor, aceitou a cruz por amor, aceitou a morte por amor, aceitou ressuscitar por amor, mandou o Espírito Santo por amor. Não pagou o preço para nos possuir como objetos, mas para que pudéssemos ter o direito de escolher serví-lo ou não, com orelhas furadas.

O texto que estamos estudando simboliza o dia da expiação dos Judeus. Na expiação eram dois bodes (Lv 16), um expiatório e outro emissário, paralelo a isso, temos aqui redenção e remissão. Um dos bodes morreria para no resgatar, libertar. O outro receberia sobre si todos os pecados de Israel e era enviado ao deserto, levando cada pecado para longe, isso é perdão. Enquanto um liberta (redenção) o outro perdoa (remissão). Jesus fez os dois por nós.

Deus abençoe a sua vida!