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A paternidade como o fato anterior à existência

A maioria de nós gasta uma vida inteira tentando "subir" até Deus através das nossas experiências humanas. Olhamos para os nossos pais terrenos — com todas as suas virtudes e cicatrizes — e tentamos projetar essa imagem no céu, como se Deus fosse apenas um "pai biológico" em escala aumentada. Porém, a teologia prática nos convida a uma ruptura: a paternidade de Deus não é uma metáfora sobre a nossa biologia; a nossa biologia é que é uma metáfora sobre a Sua ontologia. O transbordamento da glória pré-mundana O texto de Gênesis 1.1 afirma que "No princípio, criou Deus..." . Se lermos este verso em harmonia com João 17.5, onde Jesus menciona a glória que tinha com o Pai "antes que o mundo existisse" , percebemos que a criação não foi o evento que conferiu a Deus o título de Pai. Deus não se tornou Pai porque criou o homem; Ele criou o homem porque já era Pai. A paternidade é a estrutura da realidade divina muito antes de haver um universo para ser g...
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O erro que cometemos ao tratar a Bíblia como um livro qualquer

Muitos de nós já fomos influenciados por uma cultura que valoriza o naturalismo secular e levados a enxergar a Bíblia como apenas mais um livro antigo, um registro histórico interessante, talvez, mas, em última análise, "cheio de mitos e enganos". Essa abordagem, que trata as Escrituras como um objeto de estudo a ser dissecado com a frieza de um cientista, é a raiz de uma profunda frustração e de uma crise de identidade espiritual que assola incontáveis corações. Tentar construir uma fé sólida sobre essa base é como tentar montar um complicado quebra-cabeça sem ter a imagem da caixa para se guiar. Peças soltas, narrativas desconexas e mandamentos que parecem arbitrários flutuam em um vácuo de sentido, gerando mais perguntas do que respostas e mais dúvida do que paz. O resultado é uma fé fragmentada , incapaz de oferecer um alicerce seguro em um mundo que já é, por si só, instável e confuso. Mas há um alento. Existe uma maneira de se relacionar com as Escrituras que a resgata ...

Sua teologia está correta, mas sua alma está vazia

O vazio no corredor da ortodoxia Existe uma dor oculta na vida de muitos cristãos sinceros. É a dor de ter todas as respostas certas, de dominar o sistema doutrinário, de defender a ortodoxia com precisão e, ainda assim, sentir um vazio no corredor da própria alma. É a desconcertante descoberta de que um conhecimento teológico impecável não garante um coração aquecido nem uma fé resiliente. Você já se sentiu assim? Já se perguntou se "saber sobre Deus" tem se mostrado suficiente para verdadeiramente "conhecer a Deus" e sustentar sua alma nas inevitáveis tempestades da vida? Para muitos, o cristianismo se tornou um conjunto de proposições a serem aceitas, um manual a ser memorizado. Mas a fé bíblica nunca foi primariamente sobre um sistema de crenças; foi, e sempre será, sobre um encontro vivo. Quero explorar a diferença crucial entre um sistema e um encontro, entre uma crença correta e uma fé que pulsa com vida. Vamos entener por que sua teologia pode estar correta,...

2026 não é sobre melhorar o seu pântano, é sobre ser curado pelo rio

1. Introdução: Você está carregando a lama do ano passado? 2026 chega com a promessa de um novo começo, mas muitos de nós apenas trocamos de calendário, não de condição. Arrastamos a lama de 2025 — o lodo de uma fé estagnada, de um perdão não liberado — para um novo território, transformando a esperança de um jardim em mais um pântano. São os ressentimentos não resolvidos, os pecados que viraram hábito ou aquela fé que prometemos a nós mesmos que iria amadurecer, mas que permaneceu estagnada. A Bíblia tem um nome para esses lugares da alma: "charcos e pântanos". Em Ezequiel 47 , o profeta recebe uma visão de um rio que flui do santuário de Deus, trazendo vida por onde passa. Mas há uma advertência terrível no versículo 11: os pântanos, os lugares de água parada, não são curados. Essa visão, no entanto, não é uma sentença, mas um convite. Ela nos oferece uma poderosa metáfora para a cura divina que anseia fluir para as áreas mais mortas da nossa vida. Se você se sente preso na...

A síndrome de Pilatos: As 4 pressões culturais que nos fazem "lavar as mãos" da fé

Introdução: você também sente que algo está errado? Muitos cristãos hoje sentem uma inquietação, uma sensação de incoerência. As igrejas crescem em número, mas uma crise de integridade paira no ar, trazendo uma tristeza sutil sobre o povo de Deus. Estamos cansados de tanta hipocrisia. É hora de reagirmos. De dizermos não a tudo o que se interpõe entre nós e nosso relacionamento com Ele. Em meio a essa confusão, a figura histórica de Pôncio Pilatos ressurge, não como um vilão distante, mas como o arquétipo de um dilema assustadoramente moderno. Pilatos era um homem que possuía tanto "a tenaz maldade de um guerreiro" quanto a covardia de quem podia "dissimular uma decisão, 'amarelando'". Diante da maior decisão de sua vida, ele escolheu " lavar as mãos " para evitar o conflito. Este comportamento, essa tendência de se eximir da responsabilidade diante da verdade, é a " Síndrome de Pilatos ". O objetivo deste artigo é identificar as quatro p...

Deus é onisciente e onipresente?

Introdução Será que, ao abrir Gênesis 3.8-9, podemos concluir que Deus não é onisciente nem onipresente? O pano de fundo desses versículos é a queda de Adão e Eva, quando decidiram desobedecer ao Senhor. Era costume o Senhor visitá-los diariamente, mas depois do pecado a Escritura relata que o casal, ao ouvir a voz do Senhor, tentou se esconder de Deus (v. 8). Mas se Deus é onipresente, como alguém poderia se ocultar dEle? E o versículo 9 nos lança em outra tensão. Quando Deus chama Adão, faz uma pergunta: “Onde estás?”. Se Ele é onisciente, não saberia exatamente onde eles estavam? Eis o nó a ser desatado neste artigo! Análise Reconsiderando a Onipresença O versículo 8 não discute a Onipresença de Deus, mas revela a ingenuidade humana. Deus é onipresente em todo sentido, como canta Davi em um de seus salmos: " Para onde irei do teu Espírito ou para onde fugirei da tua face? Se eu subir ao céu, lá tu estás; se fizer no Seol a minha cama, eis que ali também tu estás; se tomar as as...

O perigo silencioso da hipocrisia

Pensamento, palavras, ações e princípios Aquilo que passa pela mente acaba escorrendo para os lábios, e o que sai dos lábios, cedo ou tarde, se materializa em atitudes. Nossos pensamentos ganham voz nas palavras, e as palavras encontram confirmação nas ações. Não por acaso, Stephen Charnock afirmou: “As ações do homem são os melhores indicadores de seus princípios.” Existe, porém, um paradoxo doloroso entre o que dizemos e o que de fato vivemos. Quando a fala segue por um caminho e a prática por outro, damos a isso um nome antigo e pesado: HIPOCRISIA . A palavra hipocrisia nasce no grego e carrega o sentido de “ator”, “alguém que representa um papel”, “a arte de atuar”. É a vida vivida como encenação. No Novo Testamento, a hipocrisia descreve uma conduta humana marcada por religiosidade visível, mas movida por motivações tortas, escondidas e simuladas no interior. Jesus e a hipocrisia Um dos pecados mais duramente denunciados por Jesus foi o pecado da hipocrisia. Ele advertiu com clare...