Introdução Vivemos sob o peso de uma era saturada de ruído visual, onde a relevância eclesiástica é frequentemente medida pelo brilho das telas e pelo engajamento digital. No labirinto das estratégias de marketing e dos megaeventos, a igreja contemporânea enfrenta uma crise de identidade sem precedentes. Muitos se perdem na busca por uma "igreja relevante" que, embora lotada, carece de substância. O verdadeiro compromisso cristão, no entanto, não é forjado na conveniência, mas na fidelidade que desafia as circunstâncias — o que costumo chamar de teste dos "dois Fs": a disposição de buscar a Deus mesmo em uma quarta-feira de "frio e feriado". Revisitar o segundo capítulo da carta de Paulo aos Efésios não é um recuo nostálgico, mas uma urgência estratégica. A compreensão profunda desta exegese traz a promessa de uma clareza renovada sobre nossa missão e uma maturidade que nos protege de sermos meros consumidores de entretenimento religioso. Se a Palavra de ...
A maioria de nós gasta uma vida inteira tentando "subir" até Deus através das nossas experiências humanas. Olhamos para os nossos pais terrenos — com todas as suas virtudes e cicatrizes — e tentamos projetar essa imagem no céu, como se Deus fosse apenas um "pai biológico" em escala aumentada. Porém, a teologia prática nos convida a uma ruptura: a paternidade de Deus não é uma metáfora sobre a nossa biologia; a nossa biologia é que é uma metáfora sobre a Sua ontologia. O transbordamento da glória pré-mundana O texto de Gênesis 1.1 afirma que "No princípio, criou Deus..." . Se lermos este verso em harmonia com João 17.5, onde Jesus menciona a glória que tinha com o Pai "antes que o mundo existisse" , percebemos que a criação não foi o evento que conferiu a Deus o título de Pai. Deus não se tornou Pai porque criou o homem; Ele criou o homem porque já era Pai. A paternidade é a estrutura da realidade divina muito antes de haver um universo para ser g...