em Teológico

Série Anjos – Definições e Conceitos Históricos

Ao nosso redor há um mundo de espíritos, muito mais populoso, mais poderoso e de maiores recursos do que nosso próprio mundo visível de seres humanos. Espíritos bons e maus passam por entre nós de um lado para outro com muita rapidez e através de movimentos imperceptíveis.

Estes espíritos são chamados de anjos, sejam eles bons ou maus; e a doutrina que estuda os anjos é denominada de angelologia.

Os anjos são mencionados com imparcialidade e credulidade de Gênesis a Apocalipse, de Abraão, “nos carvalhais de Manre”, a João, “na ilha de Patmos”. Nas Escrituras encontramos uma vasta declaração sobre os anjos bons e maus, e tal é a importância que se dá às funções à eles atribuídas, que a doutrina da Bíblia concernente à eles não pode ser ignorada.

Definição

Apesar de muitos concordarem com Tim Unsworth quando o mesmo disse: “Parece difícil especificamente definir os anjos”, a angelologia pode trazer-nos grandes benefícios espirituais. E uma das razões do porque ser difícil definir os anjos, se constitui na premissa de que a angelologia não é o enfoque primário das Escrituras, pois a ênfase primária da Bíblia é o Salvador e não os seus servos; Deus dos anjos e não os anjos de Deus. No entanto, a dificuldade não significa impossibilidade e o estudo dos anjos se torna um desafio ao coração e ao intelecto.

Stanley Horton, em “Teologia Sistemática, uma perspectiva pentecostal“, afirma que o estudo dos anjos é uma parte vital da teologia, tendo valor trangencial e implicações para outros ensinamentos da Bíblia.

Tanto no AT como no NT, as palavras traduzidas como anjo trazem o mesmo significado. No AT, a palavra utilizada é malakh, e no NT o termo utilizado é anggelos, cujo significado de ambos é: “mensageiro”, etimologicamente e conceitualmente, um mensageiro sobrenatural de Deus, enviado com uma mensagem particular, familiarizado com o Senhor face-a-face, e por isso pertence à uma ordem de ser superior ao homem.

São seres, espirituais e celestiais, sobrenaturais; seres majestosos criados por Deus para executar a sua vontade (Sl 148.2-5; Cl 1.16). Suas criações se deram em uma época anterior à criação do ser humano (Jó 38.7).

Por serem serem espirituais, podem servir como mediadores entre Deus e os homens, movimentando-se à vontade entre às esferas natural e espiritual, sem impedimento das limitações físicas (At 12.7).

Conceito histórico

As mais antigas evidências arqueológicas de anjos aparecem no monolito de Ur-nammus, c. de 2250 a.C. onde os anjos são vistos voando sobre a cabeça do rei enquanto este orava.

Embora a angelologia estivesse mesclada com a mitologia nas religiões primitivas e no politeísmo dos vizinhos, o povo escolhido não assimilou os conceitos distorcidos, os quais teriam de ser extirpados com o amadurecimento de sua própria religião.

Nas tradições pagãs, os anjos eram às vezes, considerados divinos e outras vezes fenômenos naturais. Eram seres que faziam boas ações em favor das pessoas ou eram as próprias pessoas que praticavam o bem.

Na mitologia, os assírios e os gregos deram asas a alguns desses seres semi-divinos. Hermes, por exemplo, tinha asas nos calcanhares, Eros possuías asas nos ombros. Os romanos inventaram o Cupido, o deus do amor erótico, um garoto que atirava flechas invisíveis para incentivar romances. Platão falava de anjos da guarda (427-347 a.C.).

No período do NT, os fariseus acreditavam nos anjos, e que eles fossem seres sobrenaturais que comunicavam a vontade de Deus (At 23.8), já os saduceus, influenciados pela filosofia grega da época, diziam que “não há ressurreição, nem anjo, nem espírito” (At 23.8).

Irineu (130-195 d.C.) construiu hipóteses à respeito da hierarquia angelical.

Inácio de Antioquia, um dos primeiros pais da igreja, e Orígenes (182-251 d.C.) falavam sobre os anjos. Orígenes declarou a impecabilidade dos anjos, afirmando que, se foi possível a queda de um anjo, talvez seja possível a salvação de um demônio, porém este conceito foi rejeitado em concílios eclesiásticos posteriores.

Em 400 d.C., Jerônimo acreditava que anjos da guarda eram dados aos seres humanos quando nasciam.

Dionísio, o Aeopagiata (500 d.C.), foi um dos maiores contribuintes para o estudo dos anjos e à semelhança de Irineu, criou hipóteses sobre a hierarquia angelical.

O teólogo Tomás de Aquino (1225-1274), formulou 118 perguntas relevantes à respeito do assunto. Uma das perguntas era: “De que se compõe o corpo de um anjo?”.

Todo esses conceitos foram sincretizados no cristianismo medieval e como consequência a adoração aos anjos passou a fazer parte da liturgia dos cultos cristãos, foi tão marcante isso que o Papa Clemente X (160-1676) decretou uma festa em homenagem aos anjos. Mesmo o catolicismo romano praticando estes excessos, o cristianismo reformado continuava ensinando que o anjos apenas ajudavam o povo de Deus.

Calvino (1509-1564), acreditava que os anjos eram despenseiros e administradores da beneficência da Deus para conosco.

Lutero (1483-1546), falou em termos semelhantes à Calvino, observando que os anjos servem à Igreja e ao Reino.

Já por volta de 1800 d.C., era do Racionalismo, surgiram várias dúvidas à respeito do sobrenatural, com isso o ceticismo sobre os anjos começaram a aumentar.

E em 1918, alguns eruditos judaicos, começaram a proliferar, com seu liberalismo, que os anjos não eram reais e que eram desnecessários.

Contudo, tudo isso não abalou a fé dos evangélicos conservadores, que continuam a confirmar a validade dos anjos, pois, não poucas passagens das Escrituras ensinam que há uma ordem de seres celestiais totalmente distintos da humanidade e da Divindade, que ocupam uma posição exaltada acima da atual posição do homem caído. Estes seres celestiais são mencionados pelo menos 108 vezes no Antigo Testamento e 165 no Novo Testamento, e a partir deste conjunto de Escrituras o estudante pode criar a sua “doutrina dos Anjos”.

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