em Teológico

Série Anjos – Ordenação Angelical

A Bíblia faz menção de anjos bons e maus, embora ela ressalte que todos foram criados bons e santos (Gn 1.31), conforme já estudamos anteriormente. Isso refere-se á sua classificação, veremos agora sobre a sua ordenação ou hierarquia.

Segundo Stanley Horton, alguns intérpretes vêem esta hierarquia de anjos em cinco graus, sendo que os de categoria inferior acham-se sujeitos aos que se encontram em categoria superior. Não trataremos o assunto dentro desta visão de hierarquia pentagonal, mas abordaremos cada ordem de anjo, conforme sua própria identidade, e caso haja alguma correspondência ou pelo menos uma implicação bíblica para sujeição (digo sobre a hierarquia), assim o faremos.

Anjo do Senhor: Pearlman diz que a maneira pela qual é descrito, o distingue de qualquer outro anjo e acrescenta que duas coisas importantes são ditas acerca desse anjo: primeiro, que o nome de Jeová , isto é, seu caráter revelado, está nele; segundo, que ele é o rosto de Jeová , ou melhor, o rosto de Jeová pode-se ver nele.

Mas quem é este anjo? A questão da identidade deste anjo tem intrigado a grande maioria dos estudiosos bíblicos, e a conclusão final, segundo Merril Tenney, de grande parte destes estudiosos é que todas as aparições dele são manifestações distintas e pessoais do próprio Deus, a qual pode ser chamado de Verbo encarnado (cf. Jz 2.1 – auto-manifestação de Deus).

João declarou que o Verbo “estava no princípio com Deus” e que “o verbo era Deus”; o Verbo participou da Criação; “o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1.1-14). Dentro desta linha de pensamento, é interessante notar que este anjo não aparece na terra enquanto Jesus estava na carne. Com isso, já poderíamos afirmar algo à respeito da identidade deste anjo, mas vamos verificar outras evidências.

Ainda segundo Tenney, outras semelhanças entre “o anjo do Senhor” e Jesus sustentam a tese de que ele era o Verbo pré-encarnado. Daniel disse que seus olhos eram como tochas flamejantes, e Ezequiel viu um brilho “como a aparência do fogo” ao redor de uma “forma humana” sentada num trono (Dn 10.6; Ez 1.26ss). A semelhança está na impressionante visão de João à respeito de Jesus: “E a sua cabeça e cabelos eram brancos como lã branca, como a neve, e os seus olhos como chama de fogo; E ele tinha na sua destra sete estrelas; e da sua boca saía uma aguda espada de dois fios; e o seu rosto era como o sol, quando na sua força resplandece.” (Ap 1.14;16).

Uma outra característica da divindade exercida pelo “anjo do Senhor” foi a autoridade para perdoar pecados (Ex 23.21).

Diante destas similaridades, Pearlman afirma

“não se pode evitar a conclusão de que este Anjo misterioso não é outro senão o Filho de Deus, o Messias, o Libertador de Israel, e o que seria o Salvador do mundo.”

Arcanjos: Dentre os anjos bons, somente dois são mencionados na Bíblia pelo nome: Miguel e Gabriel; um é identificado como arcanjo: Miguel em Dn 12.1 e Jd 1.9; o outro,  Gabriel, não é identificado na Bíblia como arcanjo, mas encontramos esta afirmação no livro apócrifo de Enoque, que cita ainda dois outros arcanjos, Rafael e Uriel. Consideraremos assim que somente Miguel pode ser elencado como um arcanjo, biblicamente falando.

O arcanjo está no topo da hierarquia angelical, salvo pela posição ocupada pelo “Anjo do Senhor”, onde já vimos que considera-se como o próprio Cristo pré-encarnado e sendo assim, o arcanjo está sujeito ao “Anjo do Senhor”.

Segundo a Enciclopédia Católica, Miguel tem o nome que é o grito de guerra dos anjos bons na batalha contra o inimigo e seus seguidores.

É o tipo de anjo considerado como o príncipe dos anjos, o primeiro dos anjos. Está indicado como um anjo protetor da nação israelita (Dn 12.1) e líder de um exército angelical (Ap 12.7).

Mensageiro Especial: Todos os anjos são mensageiros, mas tem um que se torna especial, com mensagens especiais, seu nome é Gabriel.

Mencionado apenas quatro vezes nas Escrituras (Dn 8.15-27; 9.20-27; Lc 1.11-20; 1.26), é considerado como um revelador dos propósitos divinos, especialmente ligado ao cumprimento da promessa messiânica.

Segundo escritos apócrifos, e implicitamente nas suas aparições bíblicas, este anjo está assistindo na presença do Todo-Poderoso seguindo Suas ordens e ostentando Sua autoridade nas mensagens enviadas.

Querubins: Norman Geisler diz que são “criaturas gloriosas proclamadoras e protetoras da glória de Deus“. O termo possui um correspondente no hebraico “qeruvin” (Gn 3.22-24) que possui uma correlação com um verbo acadiano “karubi” significando bendizer, louvar, adorar.

Estão sempre associados com a santidade de Deus e a adoração que a sua presença inspira (Ex 25.20; 1Rs 6.29; Sl 80.1), além de ter como importante atividade, proteger a santidade divina. (cf. Gn 3.24, quando impede que Adão e Eva reentrassem no jardim; Ex 26.1 quando suas imagens são bordadas nas cortinas do tabernáculo, que separava a presença divina do povo ímpio).

De acordo uma literatura apócrifa, foram criados no terceiro dia e não tinham nenhuma forma definitiva; e segundo outra literatura apócrifa, estes foram os primeiros seres criados no universo.

Já o Midrash, o vê como um intercessor. Uma frase característica nela diz: “Quando um homem dorme, o corpo diz para o neshamah [“alma”] o que fez durante o dia, o neshamah em seguida, relata ao nefesh [“o espírito”], o nefesh ao anjo, o anjo ao querubim, e o querubim ao serafim, que em seguida o leva diante de Deus [Lev R. xxii; Eclesiastes 10:20].” (cf. Enciclopédia Judaica).

Como podemos ver em 1 Sm 4.4 “Enviou, pois, o povo a Siló, e trouxeram de lá a arca da aliança do SENHOR dos Exércitos, que habita entre os querubins; e os dois filhos de Eli, Hofni e Finéias, estavam ali com a arca da aliança de Deus.” e em Sl 99.1 “O SENHOR reina; tremam os povos. Ele está assentado entre os querubins; comova-se a terra.”, entendemos que os querubins são também, segundo Norman Champlin, transportadores do Trono-Carruagem de Deus. Concluímos portanto que:

“temos os querubins como intercessores, adoradores e protetores da glória e santidade divinas e condutores da presença de Deus.”

Serafins: Há somente duas referências a serafins na Bíblia (Is 6.2,6). O termo vem da palavra hebraica saraph que significa “arder, os que queimam”. Geisler afirma que os serafins são, à semelhança dos querubins, proclamadores da santidade de Deus. Stanley Horton completa dizendo que eles irradiam, incandescidos (ardendo em brasas), a glória e a pureza de Deus, declarando a incomparável e suprema santidade divina.

O número de serafins não é dado exatamente, mas o substantivo plural utilizado provavelmente implica em três ou mais e o título serafins induz a que se faça incessante adoração, executa o ministério de purificação e expõe a sua humildade.

Cada serafim é mencionado tendo seis asas, uma face, mãos e pés. Duas asas cobriam a face, duas cobriam os pés, revelando a humildade diante de Deus, e com duas voavam. Expressavam-se em palavras compreensíveis aos ouvidos humanos.

Ao contrário dos querubins, estes não estavam às rodas do trono divino, mas pairavam sobre o Todo-Poderoso, servindo como criados de Deus. Suas tarefas eram: servirem como agentes e porta-vozes do Senhor e condutores da adoração à Deus, e é por isso Isaías ouvia deles:

“E clamavam uns aos outros, dizendo: Santo, Santo, Santo é o SENHOR dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória.” (Is 6.3)

Anjos Eleitos: Segundo Pearlman são os anjos que permaneceram fiéis à Deus quando da rebelião de satanás (1Tm 5.21; Mt 25.41). Foram organizados por Deus, enquanto os rebeldes foram organizados por satanás.

Governadores: Há indicações de que existam organizações entre os anjos bons. Em Cl 1.16, Paulo fala de tronos, soberanias (domínios), principados e potestades (poderes) e acrescenta que foram criados por intermédio d’Ele e para Ele, isto parece incluir que ele está se referindo aos anjos bons. Em Efésios 1.21, a referência parece incluir tanto os anjos bons quanto maus. Nas outras passagens, essa terminologia se refere definitivamente apenas aos anjos maus (Rm 8.38; Ef 6.13; Cl 2.15):

a) Tronos (thronoi) se referem a seres angélicos, cujo lugar é na presença imediata de Deus. Esses anjos são investidos de poder real que exercem sob Deus;
b) Domínios (kuriotes) parecem estar próximos dos thronoi em dignidade;
c) Principados (archai) parecem se referir a governantes sobre povos e nações distintos. Assim, Miguel é tido como príncipe de Israel (Dn 10.21; 12.1). Assim, lemos também a respeito do príncipe da Pérsia e do príncipe da Grécia (Dn 10.20). Isto é, cada um é um príncipe em um destes principados;
d) Poderes – potestades (exousiai) são possivelmente autoridades subordinadas, servindo sob uma das outras ordens. É verdade que não podemos saber com certeza o significado real desses termos, mas esses acima parecem ser uma explicação plausível.

Anjos Guardiões: A crença em anjos da guarda é muito antiga e tem base bíblica, veja por exemplo o Sl 34.7 “O anjo do SENHOR acampa-se ao redor dos que o temem, e os livra.”.

Uma anjo guardou Jacó durante os vinte anos que passou em Harã e o levou de volta em segurança à Canaã (Gn 32.24ss).

Jesus mesmo, falando sobre os anjos da guarda para as crianças, disse: “Vede, não desprezeis algum destes pequeninos, porque eu vos digo que os seus anjos nos céus sempre vêem a face de meu Pai que está nos céus.” (Mt 18.10).

Uma antiga tradição judaica, reza que o anjo da guarda tem a semelhança ou aparência daquele a quem guarda , a que talvez seja refletido em Atos 12.15 “E disseram-lhe: Estás fora de ti. Mas ela afirmava que assim era. E diziam: É o seu anjo.”.

Conclusão

É com muita satisfação que encerro mais este artigo sobre o estudo que estamos fazendo sobre os anjos. Minha intenção é sempre agregar conhecimento ao povo de Deus, fortalecendo-o com o alimento que sacia a alma: a Palavra do Senhor.

Deus vos abençoe, e aguarde que em breve teremos mais um tópico dentro deste estudo.

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