em Teológico

Série Anjos – Satanás e seus anjos

As Escrituras nos informam que determinados anjos não guardaram o seu primeiro estado, e portanto foram designados como: “os anjos que pecaram”. Estes seres acompanharam um líder, que conhecemos como Satanás ou Diabo (cp. Ap 12.9), o primeiro anjo rebelde. Notemos que as Escrituras fazem distinção entre os termos diábolos e daimôn, onde o primeiro se refere à um único ser (o líder rebelde) e o segundo a todos os outros anjos caídos que o acompanharam.

A concepção popular de que satanás é um ser com chifres, pés de cabra e com uma aparência terrível tem sua origem na mitologia pagã, pois a Bíblia não dá respaldo pra isso. De acordo com as Escrituras, satanás era originalmente Lúcifer (Forma usada pela KJV para “estrela da manhã” em Is 14.12), o mais glorioso dos anjos.

A origem de satanás está na interpretação harmônica das passagens de Ez 28.12-15 e Is 14.12-14 com a figura escriturística das íntimas relações de satanás com os governos mundiais (Dn 10.13; Jo 12.31); e esta interpretação é sustentada pela maioria dos estudiosos bíblicos.

Como um ser criado, ele não é eterno ou auto-existente, e isso o limita consistentemente como um ser criado. Não é divino, nem onisciente e muito menos onipresente. Tem grande poder, mas seu poder é limitado. Sua atuação está totalmente limitada às permissões de Jeová (cp. Jó 1.12, 2.6; Ap 2.10).

Na Palavra de Deus, satanás recebe outros nomes ou designações que revelam o caráter deste poderoso ser celestial, vejamos alguns:

  • Abadom (Ap 9.11) – destruidor;
  • “acusador de nossos irmãos” (Ap 12.10);
  • “adversário” (1Pe 5.8);
  • “homicida” (Jo 8.44);
  • “príncipe das potestades do ar” (Ef 2.2);
  • “antiga serpente” (Ap 12.9);
  • “tentador” (Mt 4.3)

O que deu origem à queda deste “querubim”, se foi criado perfeito? Deus criou este anjo perfeito, mas livre para escolhas. Satanás escolheu pecar e por isso empenhou-se em estabelecer sua própria vontade em oposição à obra e propósitos divinos (At 13.10). Qual era então a vontade dele? Foi dominado por uma paixão em receber adoração assim como o seu Criador, e esta ambição o fez empenhar esforços para ser igual à Deus. Esta paixão por ser adorado, foi revelada na tentação que Jesus sofreu no deserto, quando este anjo rebelde ofereceu à Jesus o mundo em troca de um gesto de adoração.

Como consequência deste orgulho e paixão por adoração, Deus o lançou do céu, destituindo-o de suas funções celestiais e condenando-o à execração eterna.

Sobre quando se deu a queda de satanás, as Escrituras silenciam-se; mas deixa claro que se deu antes da do homem, já que Satanás entrou no Jardim sob a forma de serpente e induziu Eva a pecar.

Quando satanás intentou ser “igual à Deus”, ele aglomerou diante de si uma multidão de anjos celestiais, que caíram no engodo do mesmo. Quando então Deus lançou satanás do céu, expulsou também todos os anjos que acreditaram e apoiaram a sua rebelião (Jo 8.44; 2Pe 2.4; Jd 6). Entendemos aqui que satanás (diabo) e os anjos caídos (demônios), perfazem o exército do mal que impera neste mundo.

Os anjos caídos ou demônios são divididos em duas classes: livre e aprisionados. Os livres são os que andam pelas regiões celestiais sob as ordens de satanás, seu líder. Os presos são aqueles que abandonaram a sua própria habitação, e tornaram-se tão maus e depravados que Deus os encerrou no abismo (Ap 9.1-2).

Os demônios livres são normalmente mencionados em conexão com satanás, seu líder (Mt 4.10, 25.41; Ap 12.7-9). Mas, Sl 78.49; Rm 8.38; 1Co 6.3; Ap 9.14 referem-se a eles separadamente. Estão, é claro, incluído em “todo principado e potestade, e poder, e domínio” (Ef 1.21), e são mencionados especificamente em Ef 6.12 e Cl 2.15. Sua principal ocupação é a de apoiar seu líder Satanás na luta dele contra os anjos bons e o povo e a causa de Deus, resumidamente: “caluniar Deus perante o homem, e caluniar o homem perante Deus”.

Os demônios são a força motriz que está por trás da idolatria, de modo que adorar falsos deuses é praticamente o mesmo que adorar demônios (1Co 10.20). O Novo Testamento mostra que o mundo está alienado de Deus e controlado por Satanás (Jo 12.31; 2Co 4.4; Ef 6.10-12).

Os demônios são parte das potestades malignas, o cristão tem de lutar continuamente contra eles (Ef 6.12).

Os demônios podem habitar no corpo dos incrédulos, e, constantemente, o fazem (Mc 5.15; Lc 4.41; 8.27,28; At 16.18) e falam através das vozes dessas pessoas. Escravizam tais indivíduos e os induzem à iniqüidade, à imoralidade e à destruição.

Os demônios podem causar doenças físicas (Mt 9.32,33; 12.22; 17.14-18; Mc 9.17-27; Lc 13.11, 16), embora nem todas as doenças e enfermidades procedam de espíritos maus (Mt 4.24; Lc 5.12,13). Aqueles que se envolvem com espiritismo e magia (feitiçaria) estão lidando com espíritos malignos, o que facilmente leva à possessão demoníaca (At 13.8-10; 19.19; Gn 5.20; Ap 9.20,21).

Os espíritos malignos estarão grandemente ativos nos últimos dias desta Era, na difusão do ocultismo, imoralidade, violência e crueldade; atacarão a Palavra de Deus e a sã doutrina (Mt 24.24; 2Co 11.14,15; 1Tm 4.1). O maior surto de atividade demoníaca ocorrerá através do anticristo e seus seguidores (2Ts 2.9; Ap 13.2-8; 16.13,14).

Vemos, portanto, que satanás e seus anjos são um exército poderoso em favor do mal, mas nós, que fomos resgatados do reino das trevas, estamos seguros das atividades maliciosas do diabo, e sabemos que Deus esmagará a cabeça do diabo debaixo de nossos pés (Rm 16.20). Saiba que para uma vitória efetiva sobre satanás, nós devemos reconhecer que, com base na obra de Cristo, o diabo é um inimigo derrotado, mas nos deixa um conselho:

“Resisti ao diabo, e ele fugirá de vós” (Tg 4.7)

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.